Jornal compara "Sede vacante" à crise política italiana

A edição do La Repubblica destacou hoje o período de "Sede vacante" que se vive no Vaticano, sem um papa, depois da renúncia histórica de Bento XVI, e em Roma, onde as legislativas não resultaram numa maioria.

"Sede vacante" é o período entre a morte/renúncia e a eleição de um novo papa e foi usado por Ezio Mauro do La Repubblica num editorial sobre a crise política italiana: na ausência de maioria clara no parlamento, ninguém sabe que solução vai apresentar o presidente italiano, Giorgio Napolitano, para escolher o próximo chefe do Governo.

No Vaticano, quatro dias após a resignação de Bento XVI a 28 de fevereiro, nenhum favorito se destaca entre os possíveis candidatos a papa.

A data do conclave vai ser decidida pelos cardeais, reunidos desde segunda-feira de manhã em reuniões preparatórias, denominadas "congregações". Os "media" italianos falam já da próxima segunda-feira, 11 de março.

Em Itália, a nomeação de um primeiro-ministro vai seguir-se à primeira reunião das duas câmaras do parlamento, inicialmente prevista para 15 de março, mas que poderá ser antecipada para 12.

Os dois escrutínios não estão em nada relacionados, mas nos dois casos, os escândalos abriram caminho à crise: o Vatileaks e a pedofilia na Igreja Católica, a corrupção e o abuso dos bens públicos, na classe política italiana.

Nos dois casos, "media", atores e observadores pedem "aggiornamento" (adaptação e nova apresentação dos princípios católicos ao mundo atual), rejuvenescimento e honestidade.

A 11 de fevereiro, Bento XVI anunciou a renúncia, a partir de 28 de fevereiro, devido à "idade avançada".

Um novo papa será escolhido até à Páscoa, a 31 de março, disse o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, anunciando que um conclave deve ser organizado entre 15 e 20 dias após a resignação do pontífice.

O último chefe da Igreja Católica a renunciar foi Gregório XII, no século XV (1406-1415).

A coligação de esquerda italiana, liderada por Pier Luigi Bersani, obteve a maioria (29,59%) dos assentos na Câmara dos Deputados, contra 29,18% para a coligação de direita de Silvio Berlusconi (Povo da Liberdade/Liga do Norte), de acordo com os últimos dados oficiais provisórios.

O mesmo não aconteceu no Senado (câmara alta).

O Movimento Cinco Estrelas (M5E) do ex-cómico Beppe Grillo conquistou um quarto dos votos nas duas câmaras e alterou o equilíbrio das eleições.

O ex-primeiro-ministro italiano Mario Monti e a formação centrista Escolha Cívica, muito apreciado pelos parceiros europeus, foi o grande derrotado do escrutínio: só conseguiu cerca de 10% dos votos.

Para formar um governo, Bersani, um antigo comunista conhecido por ter lançado, no Governo de Romano Prodi, um ambiciosa política de liberalizações, tem que recorrer à fama de pragmático e tentar uma aproximação ao eleitorado de Grillo.

Se não for constituído um Governo, o Presidente italiano, Giorgio Napolitano, poderá formar um novo executivo tecnocrata, pelo período necessário à reforma do sistema eleitoral, unanimemente criticado por ser o grande fator da ingovernabilidade atual.

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