O líder do movimento "skinhead" português

Militante do PNR, Mário Machado é a figura carismática do movimento skinhead português, tendo sido responsável pela sua adesão à Hammerskin Nation, em Janeiro de 2005.

Segurança de profissão, Mário Rui Valente Machado, de 34 anos, é a figura carismática do movimento skinhead português. Tomou contacto com a extrema-direita aos 13 anos no estádio José Alvalade, onde acompanhava os jogos junto da Juventude Leonina, aderindo aos 15 anos a uma organização nacionalista.

Rapidamente se tornou figura de proa do movimento skinhead, ascendendo à liderança da Frente Nacional, considerada a facção mais radical dos skinheads portugueses. Fundador da Irmandade Ariana-Portugal, esteve na base do pedido de adesão, feito em 2002, à Hammerskin Nation - uma das mais conhecidas organizações internacionais de extrema-direita - que se concretizou em 29 de Janeiro de 2005, passando a liderar os Portugal Hammerskins (PHS), Capítulo Português da organização.

Militante do PNR (Partido Nacional Renovador), Mário Machado orgulha-se de ter sido considerado militante activista do ano, em 2005, pela direcção do partido. Além de assinar o blogue Homem Lobo, o líder nacionalista é ainda um dos administradores do site Fórum Nacional onde é acusado de difundir textos de cariz racista e xenófobo.

Embora não se considere racista, Mário Machado diz-se admirador de Hitler e aponta o Mein Kampf como referência. Tem como ídolos, entre outros, Viriato, Afonso Henriques, Léon Degrelle e Rudolf Hess. Considera que Salazar era um homem "honesto mas de horizonte limitado", criticando a neutralidade assumida por Portugal durante a II Guerra Mundial onde, em sua opinião, o País deveria ter avançado para o "sonho do nacionalismo europeu e da construção da Europa das Pátrias do III Reich".

Com ficha aberta em várias polícias europeias, Mário Machado tem um longo cadastro, em que se destaca o cumprimento de uma pena de prisão efectiva de quatro anos e três meses pelo envolvimento na morte de Alcindo Monteiro, jovem cabo-verdiano espancado até à morte por um grupo de skinheads no Bairro Alto, a 10 de Junho de 1995. Foi igualmente condenado a nova pena de três anos e meio de prisão por extorsão, sequestro e posse ilegal de armas, tendo saido em liberdade com pena suspensa.

Em Junho de 2006 voltou a ser detido por posse de armas ilegais, depois de as ter exibido numa reportagem da RTP onde defendeu a luta armada dos nacionalistas portugueses no caso do Estado não conseguir assegurar a defesa das populações.

Na sequência de uma investigação da Polícia Judiciária, em Abril de 2007, Mário Machado é detido juntamente com outros 35 skinheads e acusado de 17 crimes, incluindo alegadas ameaças ao jornalista Daniel Oliveira, ao humorista Ricardo Araújo Pereira e à magistrada Cândida Vilar. Após ter passado 13 meses em prisão preventiva, é finalmente condenado (4 de Outubro de 2008) a quatro anos e dez meses de prisão por crimes como discriminação racial e ofensa à integridade física.

A 19 de Fevereiro de 2010, Mário Machado é novamente condenado a oito meses de prisão efectiva num processo onde foi acusado, com outro arguido, de ameaça, coacção e difamação à procuradora Cândida Vilar.

A 17 de Agosto de 2010, é condenado pelo tribunal de Loures a sete anos e dois meses de prisão por crimes de sequestro, roubo e coacção, sendo que nenhum dos factos provados está relacionado com a ideologia política da extrema-direita.

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