Vítima do grupo de Mário Machado revela incongruências

Uma das alegadas vítimas do grupo de Mário Machado revelou hoje incongruências no depoimento no julgamento do dirigente da Frente Nacional e de outros sete arguidos, acusados de associação criminosa, extorsão, sequestro, agressões físicas e posse de arma de fogo.

João Almeida confirmou ter-se dirigido a 16 de Dezembro de 2008 a um apartamento de Odivelas (distrito de Lisboa), mas negou que o tivesse feito para "realizar um negócio", como refere a acusação.

"Fui chamado para o apartamento para me encontrar com Mário Machado. Não o via há algumas semanas e apenas fui lá para ver se ele estava bem, se precisava de alguma coisa", disse a testemunha, na inquirição da procuradora, na 1.ª Vara de Competência Mista do Tribunal de Loures.

Após identificar os arguidos Mário Machado, Nuno Cerejeira e Rui Dias como tendo estado no apartamento, a testemunha confirmou as agressões físicas, mas declarou que não se lembra de ter sido pendurado nu numa cruz de madeira.

"Quando entrei, acho que me deram com um 'spray'. E até me bateram. Tive momentos em que me 'apaguei'", afirmou, garantindo que foi queimado com pingos de cera e ferido com um serrote, "nas pernas" e "no pénis", além de ter ingerido "dois comprimidos dados por Mário Machado".

Almeida, uma das vítimas do grupo de Mário Machado, que eram atraídas para locais pré-estabelecidos para adquirirem droga, admitiu que assinou um papel em que se comprometia a entregar 15 mil euros.

A vítima explicou com o desejo de "vingança pessoal" por que não participou o sequestro e as ofensas corporais na GNR de Alenquer, no próprio dia, onde se dirigiu "apenas para participar que não tinha bilhete de identidade".

Também não justificou em tribunal por que decidiu sair do hospital por decisão própria, sem que tenha mencionado ter sido alvo de agressões, apenas salientando que sofreu os ferimentos, na cabeça, peito e pernas, "num acidente de carro".

Inquirido pela defesa, João Almeida referiu-se ainda ao facto de ter omitido à PJ no primeiro depoimento os factos ocorridos no apartamento, porque, sublinhou, "não queria a Polícia no meio", pelo que admitiu ter inventado "uma história".

Na segunda vez que foi ouvido na PJ, o queixoso admitiu os factos e identificou os alegados agressores.

A defesa também o confrontou com o facto de ter dois exames médicos, um realizado no próprio dia das agressões, em que não fala em lesões nos órgãos genitais, e outro datado de Novembro de 2009, quase um ano depois, em que refere "ferimentos no pénis", sem que João Almeida tenha apresentado  explicação.

A atitude da vítima levou a que Mário Machado e Rui Dias se exaltassem, obrigando a juíza Susana Fontinha, que preside ao colectivo, a ordenar que o último arguido saísse da sala e aguardasse o fim do julgamento nos calabouços do tribunal.

No sentido de denunciar as incongruências do depoimento da vítima, a defesa de Rui Dias  confrontou-a com a condenação, numa primeira sentença, a 16 anos e seis meses de prisão por tráfico de droga e associação criminosa, absolvida após recurso.

Mário Machado, líder dos Hammerskins Portugal, um movimento conotado com a extrema direita, está preso preventivamente.

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