Tribunal do Porto absolve “skinheads” de agressão a galegos

O antigo líder de um grupo de skinheads negou ontem, no Tribunal de S. João Novo, no Porto, ter agredido, juntamente com mais 15 indivíduos, um subchefe da PSP, natural de Angola, e mais três pessoas da sua família, na noite de S. João, em 1991

Treze dos 16 presumíveis skinheads acusados de terem agredido dois cidadãos galegos, num centro comercial, foram ontem absolvidos no Tribunal Correccional do Porto por falta de provas. Os restantes três serão julgados num processo à parte.

Os arguidos eram acusados de terem praticado um crime de ofensas corporais e incorriam numa pena que poderia ir de seis meses a três anos de prisão.

No entanto, “não se provou que as agressões tenham sido praticadas pelos réus”, afirmou a juíza Maria Luísa Senra Arantes.

A sentença, que decretou a absolvição dos 13 arguidos, teve como base as afirmações destes e o depoimento, através de carta precatória, de um dos agredidos. Este acabou por não reconhecer nenhum dos acusados. “Não se provou que tenham sido os autores das agressões, mas também não ficou provado que estejam inocentes”, salientou a juíza.

De acordo com a acusação, as agressões ocorreram na noite de 18 de Novembro de 1989, no Parque Itália, um pequeno centro comercial na Rua Júlio Dinis, onde os arguidos se reuniam frequentemente. Nas casas de banho do centro, os 13 indivíduos, juntamente com os outros três que serão julgados à parte, dado este processo não comportar mais réus, terão agredido dois galegos, Francisco Crispin e José Bahamonde, ambos de Vigo, com correntes metálicas, garrafas e uma barra de ferro. O motivo alegado foi o estarem, ao que tudo indica, a drogar-se.

Ninguém, contudo, presenciou o ocorrido, e quando os agentes da PSP chegaram ao local já os espanhóis estavam com algumas escoreações, mas prescindindo de tratamento, no consulado americano, onde se refugiaram. “Ficou provado que foram agredidos, mas por pessoas que não foi possível identificar”, disse a juíza.

Durante o julgamento, os arguidos desmentiram as acusações, inclusive a de serem skinheads, “apesar da contradição dos depoimentos”. Por isso o tribunal não teve alternativa, e os 13 jovens foram ilibados. Uma sentença previsível depois de, nas alegações finais, a delegada do Ministério Público ter pedido a absolvição dos réus, apesar de estar convencida de que eles foram os autores da agressão.

É que os mesmos jovens foram arguidos num outro processo, que curiosamente remonta também a essa noite. Um estudante angolano, Francisco Faustino, foi agredido e amarrado a uma linha férrea da estação da Avenida de França, a escassos metros do Parque Itália.

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