MP pede condenação de Machado por sequestro e roubo

A procuradora da República no julgamento de Mário Machado, dirigente da Frente Nacional, e de outros sete arguidos pediu hoje a absolvição dos acusados pela prática de associação criminosa, mas considerou terem sido provados os crimes de sequestro, roubo, coação e ofensas corporais.

Nas alegações finais, que decorrem hoje na 1.ª Vara Mista do Tribunal de Loures, a magistrada do Ministério Público disse que os factos, que remontam a finais de 2008 e princípios de 2009, devem ser imputados aos arguidos, acusados de sequestro, roubo, coação e ofensas corporais.

A procuradora defendeu que os oito devem porém ser absolvidos no episódio em que um homem foi atingido num joelho com um tiro, por não ter sido possível detectar a vítima e recolher o seu depoimento, mas entendeu haver elementos para que o tribunal se pronuncie sobre os crimes descritos na acusação, consubstanciada na queixa de três homens.

Na situação em que esteve envolvido um dos homens queixosos, em Dezembro de 2008, num apartamento em Odivelas, Lisboa, a procuradora sublinhou que o depoimento da vítima "descreve toda a factualidade", além de notar que "os exames médicos" e "reconstituição do crime "comprovam a acusação".

De acordo com o despacho de acusação, a vítima foi espancada e, depois de despida, queimada com cera de velas e cortada nas pernas e no pénis com um serrote. Neste caso, a procuradora pediu a absolvição dos arguidos Fernando Massas e Nuno Monteiro.

No que se refere às queixas de outras duas vítimas por agressões e roubo, a procuradora pediu a absolvição do arguido Nuno Ramos numa das situações.

O advogado de Mário Machado e de Nuno Monteiro, José Manuel de Castro,  defendeu a tese de que "grande parte da acusação caiu" e pediu a absolvição dos arguidos, por considerar que "a prova produzida" em audiência "não é assim tão forte".

A mandatária dos arguidos Rui Dias e Bruno Ramos, Alzira Coutinho, criticou a investigação e salientou que "este processo iniciou-se de uma forma muito rápida", o que, enfatizou, "leva a que haja lapsos processuais".

As alegações do julgamento do grupo que a acusação diz ser encabeçado por Mário Machado, líder dos Hammerskins, movimento conotado com a extrema direita, prosseguem esta tarde.

Este processo começou a ser julgado a 25 de março, no tribunal de Loures, com a acusação a sustentar que Mário Machado era o alegado líder de um grupo que atraía vítimas para locais pré-estabelecidos, com o pretexto de lhes vender droga.

Alegadamente, os homens eram vítimas de agressões e depois roubavam-lhes os automóveis e as importâncias que tinham reunido para comprar estupefacientes.

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