Mário Machado: julgamento começa com audição a inspector

O julgamento de Mário Machado, dirigente da Frente Nacional, e de outros sete arguidos, acusados de associação criminosa, iniciou-se hoje no Tribunal de Loures, com a audição de um elemento da Polícia Judiciária (PJ) que participou na investigação.

O inspector da Direcção Central de Combate ao Banditismo (DCCB) Paulo Costa revelou que a investigação ao grupo alegadamente chefiado por Mário Machado começou com a constatação de rivalidade entre "tribos urbanas", como classificou a presidente do colectivo de juízes, Susana Fontinha.

O elemento da PJ disse que "havia uma forte ameaça de ocorrência de incidentes graves" no Algarve entre o movimento Hammerskins de Portugal, de que Mário Machado é líder, e Hell Angels, um grupo de motards.

O episódio ocorrido a 10 de Dezembro de 2008, em que um alegado elemento dos Hell Angels é baleado num joelho, desencadeou a investigação da DCCB ao grupo de Mário Machado, que, de acordo com a acusação, "sequestrava e assaltava indivíduos", com "a promessa prévia de venda" de droga.

Mário Machado, preso preventivamente no âmbito deste processo e de um outro em recurso, é ainda acusado juntamente com os outros arguidos, dos quais quatro estão igualmente detidos, de tentativa de rapto, ofensas à integridade física e extorsão a três homens.

No entanto, José Manuel de Castro, advogado do dirigente da Frente Nacional e de outro arguido, sublinhou que "a defesa vai procurar destruir provas de acusação em crimes de delito comum".

O líder dos Hammerskins em Portugal - grupo originário dos Estados Unidos conotado com a extrema direita - e os restantes arguidos estão indiciados de terem sequestrado, agredido e roubado quatro vítimas.

O julgamento prossegue na tarde de hoje, com a inquirição dos advogados de defesa a Paulo Costa, estando programadas mais quatro testemunhas indicadas pelo Ministério Público.

A próxima sessão na 1.ª Vara de Competência Mista do Tribunal de Loures está programada para 13 de Abril.

Mário Machado foi condenado a oito meses de prisão efectiva em finais de Fevereiro, por difamação, ameaça e coação a uma procuradora, tendo recorrido para o Tribunal da Relação.

Em Outubro de 2008, o Tribunal de Monsanto, que julgou o dirigente da Frente Nacional e outros 35 arguidos, condenou Mário Machado a quatro anos e 10 meses de prisão efectiva.

Mário Machado, condenado pelos crimes de discriminação racial, coação agravada, detenção de arma ilegal, danos e ofensa à integridade física qualificada, está preso preventivamente enquanto aguarda o recurso.

Em 1997, o líder dos Hammerskins foi sentenciado a quatro anos e três meses de prisão por envolvimento no homicídio de Alcino Monteiro, cidadão português de origem cabo-verdiana, espancado até à morte, em 1995, em Lisboa. Mário Machado já cumpriu a pena.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG