Mário Machado garantiu que voltaria a escrever o mesmo texto

O nacionalista Mário Machado, condenado hoje a oito meses de prisão efetiva por difamação agravada à procuradora Cândida Vilar, vai recorrer da sentença da 4.ª Vara Criminal de Lisboa e garantiu que voltaria a escrever o mesmo texto.

Mário Machado, dirigente da Frente Nacional e líder do movimento Hammerskins em Portugal, estava acusado de ter escrito um texto, inserido na Internet por Bruno Almeida, o outro arguido, que foi absolvido, em que apelava aos "companheiros nacionalistas" que "não esquecessem" a procuradora.

" saída da audiência, Mário Machado, que se encontra em prisão preventiva por outro processo cujo julgamento vai começar quarta feira em Loures, mostrou-se indignado com a condenação e garantiu que voltaria a publicar o mesmo texto.

"A minha condenação é o exemplo da liberdade de expressão que existe em Portugal. Por escrever uma carta fui condenado a oito meses de cadeia", disse, enquanto estava a ser algemado à saída da sala do tribunal.

Em tom de ironia enviou um recado à procuradora Cândida Vilar: "Viva a vitória".  

A magistrada do Ministério Público foi responsável pela condução da investigação do processo de Mário Machado e outros 35 "skinheads" alegadamente de extrema direita, relacionado com discriminação racial, coação agravada, detenção de arma ilegal, ameaça, dano e ofensa à integridade física qualificada.

O tribunal decidiu absolver Mário Machado dos crimes de ameaça e instigação à prática de crime e condená-lo por difamação agravada, crime cometido enquanto cumpria duas condenações a penas suspensas, o que, segundo os magistrados, aumenta a ilicitude do ato.

No final, o seu advogado, José Manuel Castro, disse que iria recorrer da decisão, criticando a "demasiada fulanização da Justiça", mas acredita que também o Ministério Público vai recorrer, porque o acórdão teve um voto de vencido, isto é, um dos três juízes achava que Mário Machado deveria ser condenado também por ameaça.

"A carta não era portadora de difamação, a condenação é exagerada, mas infelizmente nos últimos tempos temos visto que a Justiça está fulanizada", afirmou.

Mário Machado, que esteve em prisão preventiva decretada por Cândida Vilar, foi condenado em outubro de 2008 a quatro anos e dez meses de prisão efetiva, pena que ainda não transitou em julgado.

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