Julgamento de Mário Machado prossegue hoje com audição de queixoso

O julgamento de Mário Machado, dirigente da Frente Nacional e líder dos Hammerskins de Portugal, é retomado hoje com a audição de uma das vítimas dos oito arguidos, acusados de associação criminosa e outros crimes.

Na terceira sessão na 1.ª Vara de Competência Mista do Tribunal de Loures, o queixoso será inquirido pela procuradora, a partir das 14:00, e depois pelos advogados do arguidos.

A vítima pediu para testemunhar na ausência dos arguidos, mas os dois mandatários de três acusados apresentaram um requerimento de oposição, pedindo que o colectivo de juízes, presidido por Susana Fontinha, indeferisse.

Este julgamento iniciou-se a 25 de Março. Mário Machado e outros cinco arguidos, também inciados de tentativa de rapto, posse de armas de fogo, ofensas à integridade física e extorsão, estão presos preventivamente.

Os crimes que são imputados ao grupo reportam-se a finais de 2008 e início de 2009 e uma das três vítimas foi baleada numa perna, recebendo assistência no Hospital de Faro, tendo-lhe sido extraído um projéctil de 9mm.

Outra vítima do grupo foi atraída para um apartamento em Odivelas (distrito de Lisboa) e, de acordo com a acusação, durante "cerca de três horas e meia", foram-lhe desferidos "socos" e "pontapés". Depois "amarraram-no, penduraram-no numa cruz improvisada em madeira, deitaram-no dentro de uma banheira e foram vertendo para cima do seu corpo cera de velas acesas, queimando-o".

Mário Machado e outros arguidos são ainda acusados de rapto de uma outra vítima, que "algemaram com cintas plásticas e meteram-no no automóvel Ford Mondeo", abandonando-o horas depois na serra de Sintra, após terem-lhe roubado a viatura e 2 300 euros.

Mário Machado foi condenado a oito meses de prisão efectiva em finais de Fevereiro deste ano, por difamação, ameaça e coação a uma procuradora.

Em Outubro de 2008, o Tribunal de Monsanto, que julgou o dirigente da Frente Nacional e outros 35 arguidos, condenou Mário Machado a quatro anos e 10 meses de prisão efectiva pelos crimes de discriminação racial, coação agravada, detenção de arma ilegal, danos e ofensa à integridade física qualificada.

Em 1997, o líder dos Hammerskins foi sentenciado a quatro anos e três meses de prisão por envolvimento no homicídio de Alcino Monteiro, cidadão português de origem cabo-verdiana, espancado até à morte, em 1995, no Bairro Alto, em Lisboa.

Mário Machado já cumpriu esta pena.

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