Mortes sem culpa formada

As vítimas dos skinheads são muitas. Impossível é, contudo, chegar-se a números exactos. Sobre os “cabeças-rapadas” recaíram suspeitas de vários crimes de morte e agressão. Mas poucas vezes as culpas foram provadas em tribunal.

Certo é que o dirigente do PSR José Carvalho foi assassinado por skinheads, em 28 de Outubro de 1989. O único crime em que os autores foram apontados, julgados e condenados. Quase todos cumpriram as penas, à excepção de Pedro Grilo, o autor material da facada que vitimou José Carvalho. Grilo não esperou sequer que o Supremo Tribunal de Justiça lhe apreciasse o recurso que interpôs aos 12 anos de cadeia decididos pela Primeira Instância. Fugiu do Estabelecimento Prisional do Linhó em 22 de Agosto de 1991.

Outras mortes ocorreram, mas os prováveis autores, ainda que a sua aparência não deixasse motivo para dúvidas, recusaram ligações aos grupos neonazis.

Assim aconteceu em Lisboa, no Intendente, em Janeiro de 1992. Um africano foi morto. O espancamento foi praticado por três pessoas que proferiram diversas frases de índole racista.

Como sucedeu em Fevereiro de 1993: um operário, natural de Cabo Verde, de 25 anos, foi assassinado no Feijó. Muita gente viu indivíduos que aparentavam ser “cabeças-rapadas”, em fuga do local do homicídio, mas tudo ficou por esclarecer.

E por esclarecer ficou ainda o caso de um cidadão cabo-verdiano, Geraldo Tavares, de 39 anos, que foi morto por “desconhecidos” em Carnaxide, em 13 de Junho de 1993.

Em 27 de Outubro de 1991, o jovem José Carlos Simões foi assassinado à porta de um bar de Lisboa. Testemunhas oculares afirmaram que a vítima integrava um grupo de skinheads e que o presumível autor do crime agiu em legítima defesa, depois de ter sido alvo de agressão perpretada pelo grupo. A família de José Simões desmentiu que ele fosse um skinhead.

Curioso é notar que todos os casos mortais registados ocorreram na zona de Lisboa, quando no Grande Porto se verificou o triplo das agressões.

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