Mário Machado novamente julgado por roubo e tortura

Líder da extrema direita, condenado a oito meses de cadeia por ameaça à procuradora Cândida Vilar, regressa a tribunal num processo que envolve 'motards' dos Hells Angels.

O líder da organização "Portugal Hammerskins" senta-se quarta--feira no banco dos réus no âmbito de um processo conduzido pelo Ministério Público (MP) de Loures. Mário Machado é acusado de liderar um grupo que se dedicava a agredir e roubar clientes interessados em comprar droga.

No mesmo processo, que envolve sete outros arguidos, está incluindo o caso de "Thor", líder da organização internacional Hells Angels, com quem Machado estava em guerra. Thor era contra a formação de um grupo de skinheads no Algarve.

À procura de um acordo, Machado deslocou-se ao Algarve na companhia do arguido Bruno Monteiro, onde se encontraram com o arguido Nuno Cerejeira. Thor não quis conversar e Machado não hesitou: baleou-o.

Dias depois, também através de Nuno Cerejeira, os arguidos Mário Machado, Rui Dias e Fernando Massas sequestraram, numa casa em Odivelas um cliente interessado em comprar droga.

J.A. foi atacado com spray gás- -pimenta. Atordoado, foi depois agredido a soco e pontapé, amarrado, pendurado numa cruz improvisada em madeira e enfiado dentro de uma banheira. Os arguidos queimaram-no com a cera de velas acesas. Rui desferiu-lhe vários cortes pelo corpo com um serrote, incluindo no pénis. O calvário prolongou-se ao longo de três horas e meia.

J.A. foi obrigado a assinar um papel em como entregaria 15 mil euros e a dar todos os valores que trazia: telemóvel, dinheiro, relógio e a carteira com documentos.

Já em Janeiro de 2009, a vítima R. S. contactou Cerejeira para comprar 2500 euros de cocaína. Ficou combinado um encontro com Mário Machado e Fernando Massas, em Alverca, para a entrega do produto. Mas não era essa a intenção da dupla.

Assim que os arguidos perceberam que a avultada quantia de droga se destinava a um engenheiro endinheirado, mudaram de planos. Iriam assaltar a casa dele, com a ajuda de R.S. A vítima conseguiu convencê-los que não estaria ninguém em casa e acabou sequestrada e agredida com violência ao pontapé, soco e com a coronha de uma arma. Foi, mais tarde, abandonada. Os agressores fugiram com o carro, a carteira e três mil euros em dinheiro, 2500 dos quais destinados à compra da droga.

A acusação relata ainda um quarto episódio violento, ocorrido há cerca de um ano. Neste caso, os alvos foram dois clientes a quem tinham acabado de vender 75 euros de pólen de haxixe.

Mário Machado, Rui Dias, Fernando Massas e Bruno Ramos disfarçaram-se de polícias e esperaram-nos à porta da pensão onde eles iriam pernoitar. Simulando uma operação policial, conseguiram abordar P. N.

Algemaram-no com cintas plásticas e obrigaram-no a entrar no carro. Circularam com ele durante duas horas, enquanto o agrediam. Ao outro roubaram uma viatura Audi, que depois venderam a um stand em Sintra - que desmontava as viaturas e as vendia à peça, perdendo-se assim o rasto aos carros roubados.

Já preso na cadeia anexa à Polícia Judiciária, e ainda segundo o despacho de acusação, Mário Machado telefonou para uma das suas vítimas, R.S., e ameaçou-a. Ou retirava a queixa ou assim que fosse libertado era feita vingança. Também o arguido Bruno Monteiro se deslocou à casa dele e o agrediu, para que não testemunhasse em tribunal.

O MP acredita que a ideia deste grupo criminoso partiu de Machado. O nacionalista pensou que as suas vítimas nunca apresentariam queixa, já que chegavam até ele com o propósito de comprar droga.

À data dos factos, o arguido Fernando Massas estava em liberdade condicional depois de cumprir pena por homicídio. Bruno e Machado (ver caixa) também são cadastrados.

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