Humorista teve de mudar de vida por causa dos "skins"

"Fui alvo de ameaça por um grupo de extrema-direita". A declaração foi ontem feita no Tribunal de Monsanto pelo humorista dos 'Gato Fedorento' Ricardo Araújo Pereira, que foi ouvido enquanto testemunha de acusação no processo que opõe Ministério Público e 36 skinheads por crimes de discriminação racial. Entre os arguidos, está Mário Machado.

O humorista chegou ontem a Monsanto num carro da PSP e abandonou o local depois de testemunhar da mesma forma, escoltado por elementos daquela polícia. Ricardo Araújo Pereira, recorde-se, tinha apresentado queixa há cerca de um ano na Polícia Judiciária, depois de ter sido alvo de ameaças de elementos da extrema-direita no Fórum Nacionalista.

O CARTAZ DA POLÉMICA

As ameaças surgiram depois de os 'Gato Fedorento' terem colocado em pleno Marquês de Pombal um outdoor a incitar ironicamente à imigração, colocado ao lado de um outro outdoor do Partido Nacional Renovador onde se podia ler "Basta de imigração, nacionalismo é solução".

Depois deste episódio, elementos da extrema-direita escreveram no Fórum que teriam que "fazer uma visita à hora de saída do colégio X, onde um destes burgueses (de os Gato) tem os seus filhos a estudar". Nesse colégio, estudava a filha de Ricardo Araújo Pereira.

Na sala de audiências, refere a SIC, Ricardo Araújo Pereira reiterou que foi alvo de ameaças e que "sentiu a sua integridade física ameaçada, bem como a da sua família".
O humorista disse ainda que o grupo de extrema-direita que o ameaçou pratica "actos violentos", além de "espancar pessoas".
Por causa das ameaças e de ter conhecimento dos actos praticados pelo grupo, Ricardo Araújo Pereira disse que não teve outra solução se não apresentar queixa na PSP.

O humorista disse mesmo que se viu obrigado a "mudar de vida", tendo na altura ficado "muito preocupado ao ver o nome da filha de três anos" no sítio na Net. Ricardo Araújo Pereira contou que teve que mudar de casa, que se viu na obrigação de mudar a filha de colégio. E lamentou que por causa das ameaças tivesse que deixar de acompanhar a filha ao novo colégio.

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