"Gato Fedorento" têm protecção policial por causa das ameaças

Ricardo Araújo Pereira admite que os Gato Fedorento sempre tiveram consciência de que a colocação do cartaz era ilegal

Ricardo Araújo Pereira vai ser ouvido na próxima segunda-feira pela polícia na sequência das ameaças feitas na Internet pela extrema-direita por causa do outdoor que os 'Gato Fedorento' colocaram na Praça Marquês do Pombal, em Lisboa, e no qual, de forma humorística, faziam o contra ponto a um cartaz do Partido Nacional Renovador (PNR) que contestava a presença de imigrantes.

Em declarações ao DN, o humorista frisou "que não é a primeira vez que os elementos dos 'Gato Fedorento' são alvo de ameaças", adiantando que face ao sucedido "foram tomadas as medidas de segurança habituais neste caso". O DN apurou, entretanto, que neste momento o grupo tem protecção policial.

O mais carismático dos 'Gato Fedorento' realça, contudo, que "entre o que se diz e o que se faz existe normalmente uma diferença muito grande", frisando que não será de se dar "demasiada importância às ameaças feitas no Fórum Nacionalista, um grupo internacional defensor da raça branca.

Comentando o facto de a Câmara de Lisboa ter ontem retirado o cartaz dos 'Gato Fedorento', Ricardo Araújo Pereira admitiu que desde o início "sabia que a colocação do outdoor era ilegal".
O humorista frisou que já tinham mesmo previsto que caso fossem abordados pelos serviços da Câmara de Lisboa enquanto estavam a colocar o cartaz diriam, "tal como o ex-vereador Fontão de Carvalho , que ninguém tinha perguntado sobre a legalidade da sua colocação".

Ontem o gabinete do vereador António Prôa, responsável na autarquia lisboeta pelo pelouro do Espaço Público, referiu que "o cartaz em questão não possuía licença camarária". A autarquia esclareceu ainda que "durante o dia 5 de Abril os serviços não detectaram qualquer pedido para a colocação daquele cartaz na Praça Marquês de Pombal", acrescentando que "a ausência de pedido de licenciamento inviabilizou a notificação aos infractores para procederem voluntariamente à remoção". O comunicado realça a necessidade de se seguir "uma política de ordenamento e respeito pelo espaço público da cidade" pelo que "não pode permitir que seja afixada publicidade sem licença".

PNR RESTAURA CARTAZ

O Partido Nacional Renovador (PNR) vai proceder "ao restauro do cartaz colocado no Marquês do Pombal", referiu ontem ao DN José Pinto Coelho, confirmando ter sido já notificado pelos serviços da autarquia lisboeta para a sua remoção voluntária.

Segundo o líder do PNR, depois da notificação, o partido tem 10 dias para resolver a situação, mas o restauro do cartaz será feito logo que possível , "em princípio até quarta-feira" próxima.
A Câmara de Lisboa justificou ontem, em comunicado, a notificação para a remoção referindo que essa se baseia "no estado de avançada degradação em que se encontra o cartaz, afectando, deste modo, a estética e o ambiente da paisagem urbana onde se insere, e prejudicando a beleza e enquadramento de toda a Praça".

A autarquia esclarece ainda que "no caso do PNR não remover voluntariamente o cartaz e se o mesmo se mantiver no estado de degradação em que se encontra, a CML avançará para a remoção coerciva pelos serviços municipais , sendo os custos da operação imputados ao infractor".

O líder do PNR demarcou-se ainda das ameaças aos 'Gato Fedorento' adiantando que ele próprio "tem sido alvo de inúmeras ameaças feitas por quem se mantém a coberto do anonimato". José Pinto Coelho referiu nunca "ter apresentado queixa à polícia" por considerar "que se tratam de "meras ameaças virtuais".

BE CONTESTA REMOÇÃO

José Sá Fernandes manifestou ontem, em comunicado, "o seu protesto pela remoção do painel humorístico dos Gato Fedorento". O vereador do BE considera que com a remoção "a Câmara de Lisboa revela uma inusitada intransigência legalista" e refere ter enviado ao presidente da autarquia uma mensagem para que os promotores pudessem resolver a situação.

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