Psiquiatra alerta para mal-estar psicológico de Esmeralda

Na primeira sessão para determinar regulação do poder paternal ficou a saber-se que mãe da criança tem três filhos que não vê.

A pedopsiquiatra Ana Vasconcelos defendeu no Tribunal de Torres Novas a atribuição da guarda parental de Esmeralda Porto à sua mãe Aidida Porto, e apontou diversos sinais de problemas psicológicos da criança, actualmente a viver com o pai biológico. Porém, já no final da primeira audiência de regulação do poder paternal pedida pela mãe da criança, o julgamento registou um volta--face ao saber-se que Aidida Porto tem outros três filhos no Brasil, com os quais perdeu o contacto.

Durante a sessão de ontem, que durou o dia todo, a pedopsiquiatra Ana Vasconcelos, que acompanha a menor a pedido do tribunal desde Maio de 2008, disse que a menina tem "comportamentos que revelam uma clivagem e um mal-estar psicológico". Segundo a psicóloga, o facto de a menina "sentir necessidade de se despir e de vestir outra roupa para ser outra vez a Ana Filipa quando vai visitar Aidida e o casal revela uma clivagem que é um mecanismo de defesa da criança para não enlouquecer".

Segundo Ana Vasconcelos, "Baltazar não aceita que exista uma passagem harmoniosa da criança entre as duas casas e não compreende que seria muito importante para a criança que os adultos tivessem uma relação cordial, de forma a que a criança não sinta este traumatismo terrível, que é a passagem abrupta de uma casa para outra." Ana Vasconcelos disse que "Aidida tem demonstrado melhores condições para funcionar como ponte de diálogo". A pedo-psiquiatra disse ainda que a menina pede para ir viver com a mãe, e quer vir dizer isso mesmo ao juiz.

Ana Vasconcelos defendeu que "a responsabilidade parental deve ser exercida em conjunto pelos dois progenitores, e a criança deve viver com a mãe, como adulto guardião". Por isso, a psiquiatra recomenda que "este processo de passagem da guarda da criança à mãe não deverá ser abrupto para não afectar a sua vida escolar, devendo os progenitores encontrar forma de ser pais".

Já Luís Vilas-Boas, psicólogo clínico do Abrigo Aboim Ascensão, de Faro, acrescentou ao tribunal que a menina sofreu um traumatismo psicológico por ter sido retirada aos pais. Para este psicólogo, "a menina viveu 90% da sua vida com o casal e por isso só tem como referência emocional estes pais com os quais formou a vinculação emocional que é irreversível e permanecerá até final da sua vida".

Segundo Luís Villas-Boas, "a menina que foi Ana Filipa até aos 7 anos e desde há um ano passou a ser Esmeralda viverá em grande sofrimento psicológico, corre risco grave de automutilação e de autoflagelação, está em perigo emocional".

A última testemunha ouvida ontem foi Carina Porto Alves, a irmã de Aidida Porto, emigrante na Inglaterra. O advogado de Baltazar Nunes perguntou-lhe se Aidida tem outros filhos no Brasil, se tem mantido contactos e o que tem feito para cuidar deles. Após alguma insistência, Carina confirmou existirem "outros três filhos, que vivem com os pais" e com os quais a irmã não tem qualquer contacto, o que não abonou na sua qualidade de mãe.

O pai biológico de Esmeralda, Baltazar Nunes, ganhou a guarda da menor em Março de 2009, numa disputa judicial com o casal Luís Gomes-Adelina Lagarto que a criou desde os três meses. Agora, a mãe biológica, Aidida Porto, pediu a abertura de outro processo de regulação do poder paternal.

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