Advogado: Morte de Rosalina não interessava aos herdeiros

A morte de Rosalina Ribeiro, que disputava há 10 anos na justiça parte da herança do milionário Lúcio Feteira, não interessava a nenhum dos herdeiros, especialmente a Olímpia Feteira, única filha do empresário, disse à Lusa o seu advogado no Brasil.

"Para os herdeiros, [a morte da secretária do milionário não interessava] absolutamente nada, pelo contrário, a engenheira Olímpia tinha interesse que Rosalina prestasse contas", afirmou Paulo Freitas Ribeiro.

Segundo o criminalista, a sua cliente "age como sempre agiu, ou seja, licitamente, pelos canais formais, juridicamente, porque o interesse dela é que se esclarecesse a verdade".

Paulo Freitas destacou ainda que a filha do milionário português está a colaborar com as autoridades brasileiras e que "desde o início, logo após a morte de seu pai [em 2000], quando ficou à frente do inventário [da herança], Olímpia sempre constituiu advogados para zelar pelos bens do inventário, recuperar bens eventualmente desviados e colaborar absolutamente com a justiça".

Olímpia Feteira, tal como já tinha feito quando o pai morreu, dispôs-se a ir ao Brasil, no início deste ano, para prestar um "extenso depoimento à autoridade policial", na sequência da morte de Rosalina Ribeiro, assassinada em Dezembro de 2009 em Maricá, a 90 quilómetros do Rio de Janeiro.

Rosalina Ribeiro foi, durante mais de 30 anos, companheira de Tomé Feteira, que fez fortuna em Portugal e no Brasil. A relação entre a filha e a secretária do milionário, "óbvio que não era uma relação de amizade", diz o advogado de Olímpia Feteira, garantindo que a sua cliente procurava "trazer de volta bens que foram desviados do património do inventário" por Rosalina Ribeiro.

Em resposta à acusação feita por Rosalina Ribeiro de que Olímpia Feteira teria transferido milhões de euros das contas do empresário, Paulo Freitas diz que a sua cliente "garante que tem todas as provas de regularidade e demonstração de tais bens".

Olímpia Feteira, por sua vez, acusa Rosalina Ribeiro de transferir mais de cinco milhões de euros de contas do pai para contas do advogado português Duarte Lima, que representava os seus interesses em Portugal.

"Logo após o óbito do senhor Feteira, quando Olímpia assumiu a elaboração do inventário, detectou-se sinais de que valores depositados na Suíça em nome de Feteira haviam sido desviados. Olímpia apresentou uma queixa e, em 2009, constatou-se que, de facto, desta conta do senhor Feteira havia sido feita essa transferência para Rosalina e, em seguida, foram feitas diversas transferências em nome de várias pessoas, inclusive de um advogado em Portugal e de outras pessoas que ainda estão a ser investigadas", declarou.

Num comunicado enviado à Lusa, Duarte Lima, que se encontrou com Rosalina Ribeiro poucas horas antes da sua morte, disse já ter prestado esclarecimentos à polícia do Rio de Janeiro.

Segundo o advogado de Olímpia Feteira, tinha chegado o momento de Rosalina Ribeiro dar explicações às autoridades, pois foi só em 2009 que "se comprovou a transferência de valores elevadíssimos".

"Essa é uma informação muito cara para Olímpia. E a Rosalina acabou nunca fazendo [declarações] porque logo após a vinda dessas informações, veio ao Brasil e foi morta", complementou.

A morte "encomendada" de Rosalina, segundo Paulo Freitas, prejudicou os herdeiros e pode trazer ainda dificuldade para o desenrolar do inventário".

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