Quatro assaltos em Lisboa renderam meio milhão

Um armazém em Carcavelos foi assaltado na madrugada de ontem por um grupo de seis encapuzados, que levaram mais de 40 mil euros em mercadoria. No mês passado, foi em Algés. Em Setembro, em Loures. Os comerciantes garantem que o crime no sector aumentou nos últimos dois anos.

De Setembro até ontem, a Associação Nacional de Grossistas do Tabaco (ANGT) já contabilizou quatro assaltos a armazéns, todos na área da Grande Lisboa - Loures, Sintra, Algés e Carcavelos, este último na madrugada de ontem. O mais grave ocorreu, em Setembro, num estabelecimento em Loures, de onde levaram mais de 300 mil euros em mercadoria. Só nestes, o prejuízo já vai em quase meio milhão de euros. Mas os grossistas defendem que o total de mercadoria roubada em vários armazéns do País ultrapassa e muito um milhão de euros. E se a estes forem contabilizados os roubos a carrinhas de distribuição, a máquinas de venda directa ao público ou em cafés, "o prejuízo passa para os dois milhões", argumentaram ao DN.


Jorge Duarte, presidente da ANGT, garante que a média de assaltos a armazéns é de um por mês, mas pouco ou nada se sabe o que dão as investigações das polícias. Aliás, o representante do sector referiu ao DN que este tipo de criminalidade "está cada vez mais organizada e violenta, sendo tão ou mais grave do que a que atinge os ourives. Simplesmente, esta lida com um consumo que é 'non grato'. Por isso, não merece tanta atenção da sociedade e até das autoridades". No Norte, garantiram-nos, "há armazenistas que foram assaltados nove vezes este ano". No Sul, a vaga parece ter começado no Verão, mas Jorge Duarte teme que atinja todos os armazenistas do País. "Não tenho dúvidas que neste momento os mais de 100 estabelecimentos que existem em Portugal já estão referenciados pelo crime", sublinhou. Se nada for feito pelas autoridades, "os roubos vão continuar", afirmou.


Há dois anos, a ANGT reuniu com o secretário de Estado da Administração Interna para analisar o aumento da criminalidade e solicitou medidas urgentes que a travassem. Uma visava a criação de uma linha telefónica directa para as forças policiais que seria accionada por armazenistas, motoristas ou comerciantes assaltados para permitir uma resposta rápida e a contabilização correcta do número de casos. "Até hoje, nada voltou a ser discutido, nada foi concretizado", garantiu Jorge Duarte. Aliás, "tudo ficou pior", sustentou.


Os dois últimos assaltos na Grande Lisboa foram realizados pelo mesmo método. "Tanto no de Algés, em Outubro, como no de ontem o grupo de indivíduos encapuzados usou um carro para arrombar o armazém e retirar a mercadoria", contaram. Num e noutro, foram furtados mais de 40 mil euros em tabaco. "O roubo em Sintra ascendeu a mais de 100 mil euros, o de Loures foi mais grave. Os assaltantes desligaram os alarmes e num fim-de-semana retiraram mais de 300 mil euros em maços. O crime aumentou nos dois últimos anos. Vamos ver onde isto vai parar", disseram-nos.

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