Polícia sem resposta para crime organizado

Presidente da ASPP admite ao DN que as forças policiais não têm meios para combater a criminalidade organizada e violenta. Como é o caso dos crimes do gangue da Ribeira, no Porto, e da morte do dono do bar Avião, em Lisboa, que terá sido executado por indivíduos especializados.

"Actualmente, as forças de segurança não têm meios para fazer face a esta nova realidade criminal. Estamos a falar de crime organizado e muito violento que este ano sofreu um aumento notório, criando um sentimento de insegurança nos cidadãos." A denúncia foi feita ontem ao DN pelo presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), Paulo Rodrigues, que contradiz o ministro da Administração Interna, segundo o qual, a percentagem de crimes graves, contabilizada entre Janeiro e Setembro passados, desceu 14,7% em comparação com o mesmo período de 2006.


Paulo Rodrigues não tem dúvidas de que crimes como o do chamado gangue da Ribeira, no Porto (ver texto em baixo), e o que levou à morte do proprietário do bar Avião, em Lisboa, criaram grande insegurança nas pessoas. Insegurança essa que conduz à desconfiança face às autoridades. "Temos de credibilizar outra vez as forças de segurança", afirma este responsável, para quem é urgente um grande investimento por parte do Governo.


"Há que criar uma nova política criminal para fazer face a esta nova realidade." E isso começa, em sua opinião, por aumentar os meios materiais e humanos, melhorar os equipamento de investigação criminal e as próprias instalações. "Quando um cidadão vai à esquadra, mesmo que os profissionais sejam credíveis, o aspecto da sala onde estão dá logo má imagem da instituição", exemplifica.


Aqui, Paulo Rodrigues e o ministro Rui Pereira parecem estar em sintonia. "Queremos forças de segurança modernas e mais bem dotadas, capazes de responder ao novo quadro de ameaças à segurança interna e aos novos desafios colocados pela criminalidade", referiu ontem o governante na Escola Prática de Polícia.


Para uma melhor eficácia no combate a este tipo de crime, Paulo Rodrigues defende uma cooperação entre as várias forças de segurança, incluindo o SIS - que diz desconhecer se está ou não envolvido na investigação da morte do proprietário do bar Avião, José Gonçalves.


De uma coisa tem a certeza: "Trata-se de um crime organizado praticado por pessoas muito violentas e com muitos conhecimentos técnicos extremamente preocupantes. Quem coloca num carro um engenho explosivo direccionado é alguém com conhecimentos técnicos muito apurados." E conclui: "Não estamos perante um crime ocasional que tenha por base uma simples vingança."

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