Magistrada do caso BES lidera crime violento

Pinto Monteiro escolheu Cândida Vilar, responsável pela acusação do hammerskin Mário Machado e dos assaltos ao BES para liderar a unidade especial de Lisboa. A equipa está a trabalhar desde sexta-feira.

A unidade especial contra crimes violentos da zona de Lisboa já está formada e será liderada por Cândida Vilar, procuradora responsável pelo inquérito dos assaltos no BES e pela acusação do hammerskin Mário Machado.


O nome formal será Unidade Especial de Combate ao Crime Especialmente Violento (UECEV) e será chefiada, à cabeça, pela procuradora da República, apoiada pelos procuradores adjuntos Sofia Rocha, Filomena Rosado,Teresa Sanches e Carlos Figueira.


A decisão foi tomada pelo procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro, numa reunião que decorreu na terça-feira com Maria José Morgado, directora do DIAP de Lisboa, a que se seguiu um documento interno enviado ao departamento, assinado por Maria José Morgado.


Contactada pelo DN, a procuradora-geral adjunta confirmou que esta equipa está a trabalhar desde o dia 5 deste mês e que estas nomeações obedeceram ao regime de voluntariado.


A procuradora Cândida Vilar terá agora a missão de" dirigir a investigação criminal e exercer a acção penal relativamente à criminalidade especialmente violenta susceptível de colocar em perigo bens pessoais, além dos patrimoniais", segundo explica essa circular interna.


Cândida Vilar, amiga pessoal do ministro da Administração Interna, Rui Pereira, foi também responsável pelas acu sa - ções a Mário Machado e 36 membros da organização neonazi Hammerskins e chegou a ser alvo de ameaças. O líder do movimento skinhead em Portugal, Mário Machado, enquanto esteve em prisão preventiva, escreveu uma carta aberta, divulgada na Internet, onde apelava a todos os seguidores da extrema-direita para que não esquecessem o nome da procuradora Cândida Vilar. Depois disso, a procuradora passou a ter protecção policial especial.


Segundo a directora do DIAP explicou ao DN, esta equipa terá como função "alcançar maior eficácia e justiça no combate aos fenómenos da criminalidade especialmente violenta e altamente organizada, através de uma maior operacionalidade, interconexão de dados com as polícias e articulação interna", sendo que essa articulação, no terreno, será mais forte com a Polícia Judiciária.


Para já, os crimes que serão investigados por esta equipa são 12, mas esta unidade tem igualmente a competência de relacionar esta lista de crimes com outros investigados no DIAP e que se mostrem conexos com a violência, "tal como o tráfico de droga, o homicídio e a posse de armas".


Na passada sexta-feira, e depois da onda de crime violento que se registou no mês de Agosto, o PGR decidiu criar quatro unidades especiais de combate ao crime violento , a funcionarem nos Departamentos de Investigação e Acção Penal de Lisboa, Porto, Évora e Coimbra, presididas por magistrados do Ministério Público para melhor articulação com os órgãos de polícia criminal.


Posteriormente, a recolha e tratamento de informações seria feita por magistrados especializados no Departamento Central de Investigação e Acção Penal, dirigido pela procuradora Cândida Almeida.


A Unidade de Lisboa está sedeada na 11.ª secção do DIAP de Lisboa, na Avenida Casal Ribeiro.

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