Máfias da noite fintam polícias

As autoridades estão preocupadas com um novo tipo de crime violento e organizado. Sem qualquer detenção realizada até ao momento, a Associação de Bares do Centro Histórico avisa que nos próximos dias pode haver mais violência. O ministro da Administração Interna anuncia reforço do policiamento.

A luta entre grupos de segurança privados, de que já resultaram dois homicídios em pouco mais de um mês, é um fenómeno novo e está a suscitar grande preocupação junto das autoridades. A PSP reconhece a necessidade de se adaptar a um novo tipo de crime "mais grave e mais organizado", que não é possível combater com a prevenção. Também a Polícia Judiciária (PJ) manifestou ontem pre o cupação face a estes incidentes violentos.


Na noite do Porto a última vítima foi o empresário Aurélio Palha, abatido com oito tiros, na madrugada de segunda-feira, junto à discoteca Chic, de que era proprietário. Até à hora do fecho desta edição, a PJ não tinha feito detenções. O director nacional adjunto da PJ, Vítor Guimarães, manifestou preocupação relativa a um "fenómeno que provoca inquietação por apresentar uma vertente de elevada gravidade", que atribui "ao convívio difícil" de grupos que fazem segurança em espaços de diversão.


Rui Mendes, comissário do Departamento de Investigação Criminal (DIC) da PSP, salienta o facto de se estar a falar de "actos que têm em vista um elemento específico", concretizados por gangues organizados. O comissário aponta "a existência de sinais que levam a relacionar os vários incidentes", fazendo referência ao homicídio do segurança do El Sonero, a 13 de Julho - tese que a PJ não exclui. Refutando as críticas dos empresários da noite, que reclamam mais policiamento, Rui Mendes diz que em casos assim "até podia ter todo o comando na rua".


A Associação de Bares da Zona Histórica espera resultados na investigação da PJ: "Ou há detenções ou dentro de dias teremos mais violência", alerta António Fonseca. Este responsável garante que a polícia "tem estes grupos identificados, só terá de os vigiar". As críticas são partilhadas pelo irmão do empresário assassinado. O que aconteceu, diz Raúl Palha, mostra que a segurança privada e a polícia não funcionam. Ontem à tarde familiares e amigos velavam o corpo de Aurélio Palha. Entres os presentes, muitos seguranças da noite, Fernando Madureira, chefe da claque dos SuperDragões, e Maya, a astróloga que realiza festas na Chic.


Ontem, o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, garantiu que o efectivo policial será reforçado no Porto. Fonte do seu gabinete disse ao DN que este reforço se enquadra num conjunto de medidas tomadas, quinta-feira, numa reunião com o Gabinete Coordenador de Segurança. Nesta, foi aprovado o reforço policial em zonas de crime violento . No entanto, a mesma fonte escusou-se a avançar números. Os empresários do Norte aguardam também uma resposta do MAI e da Comissão Nacional de Protecção de Dados ao pedido de autorização da Câmara do Porto para instalar videovigilância no exterior dos estabelecimentos. Fonte da autarquia garantiu ao DN que o processo seguiu para o MAI há meses, mas "até hoje sem resposta". O MAI diz que "o processo não estava completo".

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