A criminalidade em Portugal por tipos de crimes

Homicídios praticados com armas de fogo


A GNR registou uma diminuição de 14% nos homicídios em 2005, relativamente ao ano anterior. A Judiciária confirmou na área de Lisboa 65 casos. Mas afirma que, apesar de a tendência neste tipo de crime ser para estabilizar, há algumas diferenças. "Têm vindo a aumentar os casos praticados com armas de fogo e resultantes de assaltos", refere o director nacional adjunto, Carlos Farinha. Até agora, era um "crime sobretudo passional ou de rixa. Hoje, já se notam alguns casos resultantes de assaltos, confirma também uma médica do Instituto de Medicina de legal de Lisboa. Em 2005, chegaram ao instituto 58 casos para analisar, todos enviados pelas autoridades policiais e complexos. Segundo Luísa Eira, as vítimas aparecem com lesões traumáticas vitais na cabeça e no tronco, continuando a ser maioritariamente homens, na faixa etária dos 25 aos 40 anos. "Antes era raro aparecer um jovem, agora já não é assim. Não há um aumento significativo, mas nota-se alguma diferença", explica ao DN. A tendência relativa a este crime é para estabilizar, mas, segundo a estatística nacional, dois em cada três continuam a ser cometidos por indivíduos que conhecem bem as vítimas.


Maioria da criminalidade grupal em Lisboa e Porto


São crimes cometidos por três ou mais indivíduos que têm como alvos preferidos estabelecimentos comerciais. Por isso, a criminalidade grupal é sobretudo um fenómeno urbano, muito associado ao crime violento . Em 2005, e segundo dados da PSP, 56% deste tipo de crime ocorreram na Grande Lisboa, 25% no Porto e 9% em Setúbal. A taxa média de evolução nos últimos sete anos foi de 21%, embora, em 2005, a tendência tenha sido para a diminuição. Mas hoje aparece como o modus operandi que domina o crime de proximidade: é a forma de actuação mais usada pelos agressores menores de 16 anos, até porque lhes atenua a responsabilidade individual. "Sentem-se mais protegidos", dizem-nos. No entanto, a faixa etária tipo dos agressores para esta prática de crime continua a ser a dos 25 aos 40 anos, essencialmente homens, de meio social médio e com pouca formação intelectual.


Violações aumentaram


Os crimes sexuais são considerados perante a lei um crime de ofensa grave à integridade física. Em 2005, foi mais um ano em que este tipo de crime aumentou, segundo os dados do Ministério da Administração Interna. A GNR, por exemplo, na sua área de jurisdição, registou mais 14% dos casos do que em 2004. Mas todas as polícias são unânimes em defender que não estão a ser cometidos mais crimes, "há mais participação", dizem-nos. Mesmo assim, segundo refere o sociólogo do Instituto da Polícia Judiciária Eduardo Ferreira, "as estatísticas indicam que só dez por cento destes actos é que são participados às autoridades". Por exemplo, "a tendência real do crime sexual contra menores também é para decrescer, mas a tendência aparente é a de que está a aumentar. O que se passa é que este tipo de crime passou a ter mais visibilidade", explica.


Carteiristas imigrantes


O furto por esticão e por carteiristas está a diminuir em todo o País, mas há um novo fenómeno associado à sua prática. Os dados recolhidos pelas polícias revelam que é cada vez mais um acto praticado em grupo ou em dupla, do qual já resulta violência. Por outro lado, começa a ser, e sobretudo em Lisboa, um fenómeno que envolve comunidades imigrantes. Em Lisboa, a redução de furto por carteiristas foi de 6%. De 8323 actos em 2004, passou-se para 7820 em 2005. As áreas mais problemáticas são a da Baixa da capital e os transportes públicos. Mas a grande diferença está na actuação. Ou seja, se antes o carteirista era o homem subtil que actuava sozinho ou em dupla, e que desaparecia quando confrontado, agora o carteirista é um grupo que não hesita em usar a violência sempre que algo corre mal. "São sobretudo imigrantes que actuam em grupo e que usam violência, quando há reacção das vítimas ou são detectados até por outras pessoas", confirma o comissário Prates, da Divisão de Investigação Criminal da PSP de Lisboa.

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