715 presos por cada 100 mil habitantes nos Estados Unidos

Os Estados Unidos podem continuar a gabar-se de ser a «terra da liberdade», mas as estatísticas mostram que são também o país cujas prisões estão mais sobrelotadas.


Por cada cem mil habitantes, o Japão tem 54 indivíduos presos, a França 95, a Alemanha 96, a Austrália 114, o Canadá 116, a Grã-Bretanha 143, o México 169. Dois países destacam-se no mundo pelo recurso desproporcionado à pena de prisão como solução para os problemas sociais: a Rússia, com 584 presos, e os Estados Unidos, com 715 encarcerados em cada cem mil habitantes - ou por outras palavras, cerca de 2,1 milhões de presos.


Segundo o procurador-geral John Ashcroft, isso resulta do sucesso na luta para tirar os criminosos das ruas: «Não é por acidente que o crime violento regista os níveis mais baixos em trinta anos, à medida que a população prisional aumenta.


Os criminosos violentos e reincidentes estão a receber sentenças mais duras, enquanto os americanos cumpridores da lei estão a gozar um período de segurança sem precedentes.»


Mas, se o número de crimes tem diminuído drasticamente, porque é que continua a crescer o número de presos, com um aumento de 2,9% só no ano passado? Segundo os especialistas, isso deve-se às políticas de combate ao crime das duas últimas décadas, que tornaram obrigatória a prisão em casos de droga, com penas extremamente duras para a terceira reincidência. Os entraves à liberdade condicional também ajudam.


Todas essas medidas fazem, segundo o especialista Vincent Schiraldi, com que «o sistema prisional cresça como uma erva daninha, um crescimento que se mantém em piloto automático, a despeito dos custos enormes e do pouco impacto que tem no controlo da criminalidade».


A estatística do Departamento de Justiça agora publicada mostra também desproporcionalidades étnicas, de género e geográficas.


68 % dos presos pertencem a minorias étnicas, calculando-se que 12% dos negros na faixa etária dos vinte anos estão na prisão, bem como 3,7% dos hispânicos e 1,6% dos brancos.


O aumento da população prisional feminina foi maior que o da masculina, 5% contra 2,7% - mas por enquanto estão nas cadeias um milhão de homens e apenas 100 mil mulheres.

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