Leonel Carvalho:"É preciso estudar causas da subida do crime grave"

Entrevista a Leonel Carvalho, Secretário-Geral do Gabinete Coordenador de Segurança.

Portugal está a atravessar uma onde de crimes violentos?

Não é correcto falar em onda ou vaga de crimes violentos. O que tem havido é uma repetição sistemática de notícias de crimes que acontecem todos os dias. Mas temos a indicação de que aumentam alguns crimes de criminalidade grave, embora não tenhamos os dados trabalhados e essa avaliação só se possa fazer no fim do ano.

Matar pessoas na própria casa, fazer reféns ou explodir uma carrinha de valores não aconteciam todos os dias...

Os crimes de homicídio acontecem, já em relação aos dois outros, é verdade que são crimes pouco habituais. Num caso houve um roubo com a tomada de reféns e, no outro, utilizaram-se explosivos e armas bastante potentes. Este último foi um assalto preparado com uma grande sofisticação e planeamento e que foi visível na forma como fizeram a perseguição, a abordagem ao veículo e, depois, a fuga.

Que explicações encontra para essa alteração?

É preciso haver um estudo sobre as causas que estão por detrás deste tipo de crimes. Será que tem a ver com o facto de Portugal estar mais aberto ao exterior e à entrada de pessoas, entram as pessoas boas e más? Será que tem a ver com as alterações legislativas?

Está a querer dizer que esta tipologia foi importada?

Sim, sobretudo no que diz respeito à utilização de explosivos no assalto a carrinhas de valores. Temos de estudar e perceber o que se está a passar para que sejam tomadas medidas em conjunto e que devem ser transversais.

Há indicações sobre os indivíduos que assaltaram a carrinha quanto à nacionalidade?

Não. Um dos indivíduos falou português, mas isso poderá não significar nada.
O que acaba de dizer revela que, de facto, o País está mais violento.
No mês de Agosto nota-se uma actividade criminosa maior no âmbito da criminalidade violenta e grave. Mas também constatamos que existe alguma paranóia no tratamento da criminalidade e convinha que se encontrasse um discurso mais equilibrado porque, de facto, Portugal continua a ser um país relativamente seguro...

O que estará a mudar...

Não. E por ser tão seguro dá-se tanto relevo a estes casos. Tem de haver um amplo debate entre todos os agentes, não só do sistema judicial e policial, como de todos. A sociedade em geral - autarcas, associações, serviços sociais, moradores, estruturas culturais, desportivas e religiosas -, têm de trabalhar todos no mesmo sentido.

Concorda, então, com a proposta do presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público para que se realize um congresso da justiça?

Plenamente, mas dedicado à justiça e à segurança.

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