Gerry ligou à PJ para tentar provar inocência

No processo, que ontem foi disponibilizado aos jornalistas, consta que os pais de Madeleine tinham um comportamento estranho antes de serem arguidos. Gerry ligou à polícia para reafirmar que não eram suspeitos e Kate questionou se a polícia não estava a ser pressionada para acabar com a investigação.

Dias antes do casal McCann ter sido chamado pela segunda vez para interrogatório e ter sido constituído arguido, Gerry McCann ligou para o inspector da PJ, Ricardo Paiva, responsável pela comunicação do casal com a polícia, sublinhando a sua inocência. "Tenho a certeza de que a polícia não tem nenhuma prova contra nós", disse Gerry ao inspector Ricardo Paiva, como se pode ler no processo do caso Maddie, ontem divulgado.

O pai da criança britânica, desaparecida em Maio de 2007, garantia que a PJ não tinha provas para incriminar o casal da morte da filha. Porém, alguns dias depois, a 7 de Setembro, o casal era constituído arguido.

No dia seguinte a este telefonema do pai de Madeleine McCann , o inspector Ricardo Paiva deslocava-se à casa temporária de Kate e Gerry McCann , na Praia da Luz, para os notificar do segundo interrogatório judicial que viria a resultar na constituição de arguido de ambos.

Nesse dia, 3 de Setembro de 2007, depois de saber que teria de testemunhar pela segunda vez à PJ de Portimão, Kate reagiu de forma hostil e agressiva. Frases como "o que é que os meus pais vão pensar?", "o que é que a imprensa vai dizer quando souber?" e "mas a Polícia portuguesa está a sofrer pressões do Governo para acabar com a investigação!" assim o demonstram.

Estas e outras reacções do casal britânico encontram-se numa carta reveladora que esse mesmo inspector, Ricardo Pais, dois dias antes desse interrogatório, a 3 de Setembro, enviara a Gonçalo Amaral, na altura ainda coordenador do caso Maddie.

Essa carta, que passa despercebida nos 17 volumes do processo, está incluída num processo que reuniu quase cinco mil folhas, nove apensos e cartas rogatórias e que ontem foi tornado público e acessível à comunicação social. No final de Julho, o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, arquivou o processo.

Uma carta que revela as razões nunca antes tornadas públicas dos porquês da constituição de arguido dos pais de Madeleine , segundo a PJ. Desta feita, Ricardo Paiva explica que o comportamento dos McCann se começava a revelar "estranho", com uma tendência clara de "convencer" a PJ a seguir, na investigação, a tese de rapto.

"Assisti a diversos comportamentos estranhos por parte do casal que gradualmente foi reagindo de forma muito negativa à actividade investigatória da PJ, em especial quando, devido à utilização dos meios cinotécnicos ingleses de detecção de odor a cadáver, surgiu a hipótese de ter ocorrido a morte de Maddie McCann ."

Segundo o inspector, por diversas vezes foi dito pelo casal McCann que a PJ deveria cingir-se apenas à hipótese de rapto.

E mais: "Que a polícia não se deveria esquecer de continuar a investigar o suspeito Robert Murat." O luso-britânico que, segundo o relatório da PJ enviado ao Ministério Público, foi constituído arguido por meras suspeitas de uma jornalista britânica partilhadas à PJ de Portimão. Nessa visita domiciliária que Ricardo Paiva fez a Kate e Gerry, este insistiu ainda com o inspector para lhe mostrar algumas cartas e e-mails que tinha na sua posse, por ele seleccionados, provenientes de médiuns e que na sua maior parte continham informações, "sem grande credibilidade", segundo o inspector, sobre o paradeiro possível do raptor de Madeleine.

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