Embaixador: Nunca houve contactos políticos sobre Maddie

A polémica que rodeou o desaparecimento de Madeleine McCann em Portugal "não teve impacto nenhum" nas relações entre Portugal e o Reino Unido nem originou qualquer contacto político, asseverou o embaixador português, António Santana Carlos.

"Ao nível político eu não tive qualquer contacto com as autoridades britânicas nem elas me procuraram para me pedir fosse o que fosse", garantiu o diplomata, que termina no final da semana as funções que iniciou em Outubro de 2006.

Madeleine McCann desapareceu a 03 de maio de 2007 - poucos dias antes de completar quatro anos - de um apartamento na Praia da Luz, no Algarve, onde passava férias com a família, desencadeando uma grande atenção dos media no Reino Unido

"Os meios de comunicação interessaram-se pelo assunto exaustivamente, eu acho exageradamente, e muitas vezes de uma forma pouco objectiva", recordou o embaixador, em entrevista à agência Lusa.

Todavia, a polémica que rodeou as investigações policiais "não prejudicou o relacionamento bilateral" e a "matéria nunca foi tratada" ao nível político com as autoridades britânicas.

Os únicos contactos oficiais, enfatiza, aconteceram entre polícias e departamentos judiciais, entre os quais considera ter existido uma "boa colaboração".

Da sua parte, assevera, "não houve uma interferência política para além dos esclarecimentos para pôr as coisas no seu lugar porque havia notícias que se espalharam sobre o assunto que não eram corretas".

O embaixador prestou declarações e deu entrevistas à imprensa britânica, onde procurou esclarecer o funcionamento da justiça e também a cultura portuguesa.

Uma delas originou uma crónica agressiva no Daily Mirror, o que gerou perto de 500 queixas, obrigando o tablóide a publicar uma rectificação e o autor, Tony Parsons, a apresentar desculpas.

Numa área que poderia ter sido afectada, o turismo, também não foi notada uma quebra causada pelo caso, que teve um grande impacto popular, e os turistas britânicos continuaram a visitar Portugal e o Algarve.

"Uma das explicações que procurámos dar na altura é que, infelizmente, esse trágico incidente deu paralelamente algum relevo a Portugal", justificou.

Ao transmitirem imagens do Algarve, onde os pais de Madeleine permaneceram mais alguns meses, as televisões mostravam também o sol e o bom tempo do país.

"Nós tivemos um verão excelente, via-se o mar azul e o sol permanente", lembrou, "enquanto que o Reino Unido estava debaixo de chuvas fortíssimas que provocaram cheias".

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG