Joana terá sido assassinada pela própria mãe e pelo tio

A pequena Joana , de oito anos, que se encontrava desaparecida desde o passado dia 12, terá sido brutalmente assassinada pela mãe e um irmão desta, na residência onde vivia, na aldeia da Figueira, perto de Portimão. O motivo do crime não podia ser mais «fútil» - a criança apropriou-se de «pequenas importâncias em dinheiro», o que não agradou à mãe. O «castigo» aplicado foi a morte. Os supostos autores do homicídio foram detidos ontem à tarde, estando hoje a ser ouvidos no Tribunal de Portimão.

Embora o corpo da menina não tenha sido ainda encontrado, a Polícia Judiciária de Faro, que tem estado a investigar o caso desde terça-feira, não tem dúvidas, pelas «provas testemunhais e periciais» recolhidas, de que se trata de um «homicídio qualificado» presumivelmente perpetrado por Leonor Cipriano e o seu irmão, com cadastro por pequenos furtos, no próprio dia do desaparecimento da Joana .

Segundo adiantou ontem aos jornalistas o subdirector da PJ de Faro, João Neto, o corpo foi enterrado posteriormente num local ermo perto da residência. Apesar das escavações realizadas ao longo do dia de ontem em toda a zona e das buscas com cães-pisteiros, «não foi possível encontrar o cadáver, devido ao facto de ter sido enterrado durante a noite e ao tempo que já decorreu», adiantou aquele responsável. Os supostos autores do crime não forneceram, por outro lado, a indicação exacta onde o corpo da menina foi enterrado, pelo que a PJ dispõe apenas de «vários indícios».

As buscas serão retomadas esta manhã.

De acordo com João Neto, esta investigação «revelou-se de grande complexidade», pelo que a Directoria de Faro da PJ utilizou «todos os meios disponíveis e possíveis, a nível humano, técnico e científico» para esclarecer os factos. É que, frisou, embora haja «provas testemunhais, não podemos afirmar que Leonor Cipriano e o irmão sejam autores confessos do homicídio».

Na aldeia da Figueira, a população está, simplesmente, estupefacta com a notícia sobre a morte violenta de Joana . «Mancharam o nome desta terra, que era tão pacata», lamentam os habitantes, quase nem acreditando no sucedido. «Mais valia que ela tivesse sido vendida para a Alemanha, se fosse para ser bem tratada», desabafa um homem.

Arrepiada e com as lágrimas nos olhos, uma vizinha aponta o local onde o seu filho e a Joana costumavam brincar à porta de casa. E diz ao DN: «Sempre suspeitei da mãe. Desgraçada! Aquela menina era uma criança triste e uma autêntica escrava dela lá em casa».

A população ainda ficou mais revoltada quando começou a circular a suspeita de que a mãe e o tio de Joana a tivessem morto por «tirar dinheiro» em casa.

«Se cada vez que um miúdo tira dinheiro aos pais fosse morto, então não havia crianças », comenta uma senhora, para quem «a história continua mal contada». E acrescentou: «Nunca vi aquela menina a comer um gelado ou um rebuçado. Nem estou a vê-la a tirar dinheiro à mãe. Ela é que se chegou a servir da filha para me pedir dinheiro para comprar tabaco, o que recusei. Comida na minha casa ainda lhe dei várias vezes. Agora sustentar vícios é que não».

Ao fim da tarde de ontem, uma familiar de Joana saiu de um carro e gritou para as vizinhas: «Era melhor se vocês se metessem em casa a fazer o jantar para os vossos maridos! Se a Leonor tiver culpa naquilo que fez, ela vai pagar por isso. O que vocês estão a fazer é estragar a imagem dos meus sobrinhos».

Mas, afinal, onde está o corpo da Joana ? Esta continua a ser a grande incógnita, após escavações efectuadas num terreno situado a 500 metros da casa onde Joana vivia há cerca de um ano com a mãe, o padrasto e dois irmãos.

Certo é que, segundo contaram ao DN, ontem de manhã uma senhora viu, junto à igreja da Figueira, dois homens numa acesa discussão.

Um deles terá perguntado ao outro: «Diz-me onde puseste a moça, senão mato-te». O outro respondeu que «foi num saco de plástico» de um supermercado.

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