Joana pode ter sido vendida por 50 mil euros

Justiça. Afinal, Joana Cipriano, a menina desaparecida no Algarve em 2004, poderá não ter sido assassinada. Defesa da mãe, condenada a 16 anos de prisão pelo homicídio, sustenta a tese de que a criança terá sido vendida e prepara recurso a partir de novos testemunhos

Joana Cipriano , a menina desaparecida em Setembro de 2004, da aldeia da Figueira, concelho de Portimão, e que segundo os tribunais foi assassinada pela própria mãe e um tio - apesar de o corpo continuar por aparecer - poderá, afinal, ter rendido a "alguém próximo da família mais de 50 mil euros, com a sua venda" a um casal no estrangeiro.

É, pelo menos, essa a convicção do advogado João Grade, defensor oficioso de Leonor Cipriano , condenada a 16 anos de prisão por homicídio da filha - na altura com oito anos - e ocultação do seu cadáver. Em declarações ao DN, o advogado alega ter tido "acesso a informações" sobre aquele montante (cerca de oito meses após o desaparecimento de Joana ) alegadamente em contas bancárias de Carlos Silva, proprietário de uma sucateira localizada perto de Portimão e na qual trabalha o padrasto de Joana , Leandro Silva. "Para uma família que tinha dificuldades em comprar géneros alimentícios, parece-me no mínimo estranho aparecer, de repente, com tanto dinheiro, a menos que tivesse saído o Totoloto a alguém", observou João Grade. Contudo, referiu, em termos legais "não posso requerer a investigação da conta da bancária de uma pessoa porque tal situação seria como que espiolhar a vida de alguém, entrando na sua privacidade".

Também Leonor Cipriano terá garantido a uma irmã que a visitou no Estabelecimento Prisional de Odemira que "quem ficou com o dinheiro da venda da Joana é a 'canalha' da família do Leandro", o homem com quem ela vivia na altura em que a menina desapareceu. "E eu é que paguei sem ter feito mal a ninguém", acrescentou. Confrontado com estas novas suspeições, o sucateiro Carlos Silva assegurou ao DN estar de "consciência tranquila". E assegurou: "Podem ir ver ao banco a minha conta. Estou à vontade, pois vivo apenas do meu trabalho e nada tenho a ver com o desaparecimento da criança."

Quando se prepara para elaborar o recurso de revisão do "caso Joana ", o qual será enviado, até final de Julho, ao Supremo Tribunal de Justiça, o advogado pretende assentar a estratégia "essencialmente em testemunhas novas, que possam apresentar novos factos". Isto além de incluir no processo - como o DN referiu na edição de ontem - as cartas endereçadas de João Cipriano (o tio da menina, igualmente a cumprir 16 anos de prisão) a uma sua irmã, nas quais acusa Leonor de ter vendido a filha para Espanha e a família do padrasto da menina de ter ficado com o dinheiro. "Vou lançar mão de tudo o que me for possível para ver até onde será possível chegar", sublinhou o causídico. Para já, tenciona encontrar-se, na próxima sexta-feira, na cadeia de Odemira, com a sua constituinte Leonor Cipriano . Um dos objectivos é tentar, uma vez mais, "pedir--lhe explicações sobre a verdade relativa ao desaparecimento de Joana ", sobretudo depois da confissão feita a uma irmã e das cartas do irmão. Por outro lado, só depois de formalizar uma situação, com uma assinatura de Leonor, será possível a João Grade "ter acesso ao processo" em que o Ministério Público de Faro acusa cinco inspectores da PJ daquela cidade de terem torturado e agredido a mãe de Joana , num dos interrogatórios. O processo, de resto, não apanhou desprevenido aquele advogado, pois já ouvira também "Leonor queixar-se de agressões". "Nem constitui surpresa para mim que o Ministério Público acuse investigadores da PJ de agressões, nem tão-pouco também seria surpresa essa questão ter sido arquivada", frisou João Grade, que só irá pronunciar-se sobre a acusação do MP "após o conhecer o documento".

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