Desaparecimento de Joana permanece por esclarecer

«Assassinos!» Foi este o grito de revolta que ontem mais se ouviu à porta da garagem do Tribunal de Portimão, onde, desde as 10.00, se começaram a aglomerar centenas de populares, aguardando a chegada das viaturas da Polícia Judiciária (PJ) que transportavam a mãe e o tio da criança desaparecida em Figueira, Portimão, suspeitos de homicídio qualificado. O interrogatório por parte de uma juíza iniciou-se às 17.30, tendo terminado pelas 23.00.

As eventuais medidas de coacção não eram conhecidas à hora de fecho desta edição.

Para evitar confrontos com os populares, um carro da PJ acabou por parar, pelas 15.15, junto a outra área de acesso à porta principal do tribunal. De imediato, duas dezenas de agentes do Corpo de Intervenção (CI) da PSP rodearam os suspeitos, levando-os até ao interior do edifício judicial, com imensa agitação à mistura.

Os populares tinham sido, entretanto, iludidos com o surgimento de uma carrinha celular no acesso à garagem, por onde pensavam que iriam entrar os dois suspeitos. Nessa altura, o ambiente tornou-se ainda mais tenso, com dezenas de pessoas junto ao veículo, tendo-o pontapeado. Eram também audíveis os gritos de apelo à «justiça popular». Mas, afinal, os detidos estavam noutro local.

Entretanto, segundo soube o DN junto de fonte da PJ, o tio da Joana terá garantido à juíza que, afinal, foi a mãe, Leonor Cipriano, a autora do crime. Tudo terá começado com uma bofetada à filha, na sequência da qual a menina «bateu com a cabeça na parede», tendo ficado supostamente inanimada. Como a Joana «não deu sinal de vida», a mãe terá acabado por «enrolar o corpo num cobertor, metendo-o num saco de lixo e lançando-o ao rio», onde decorreram ontem as buscas. Nova pista, surgida ao princípio da noite, levou os investigadores até junto de uma ponte entre Figueira e Mexilhoeira-Grande.

Na aldeia de Figueira, quem também se confessa «chocada» é Isabel Alves, professora de Joana. «Nunca imaginei uma situação desta natureza. A mãe mostrava ser uma pessoa normal. Quanto ao tio, não o conhecia», disse ao DN a docente, que lecciona na escola primária local. Depois de ter frequentado o estabelecimento escolar do sítio de Vendas, também em Portimão, Joana transitou, em Janeiro deste ano, para a escola de Figueira. Estava agora na terceira classe. A professora considerava-a «uma aluna razoável e interessada» na matéria. E acrescentou: «Às vezes, chegava atrasada às aulas, mas só faltou umas duas vezes para ir a Portimão. Nunca se queixou da família, nem apresentava sinais de eventual violência em casa».

O padrasto da criança voltou a ser ouvido ontem na PJ. Na perspectiva dos investigadores, ele saberá de tudo e, ao que se apurou, terá sido ameaçado pelos próprios irmãos e pelos irmãos da companheira.

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Havia um processo que foi arquivado

Existia um processo da Joana na Comissão de Protecção de Menores e Jovens em Risco de Portimão, que foi arquivado este ano. Embora não saiba o teor do relatório, Dulce Rocha, presidente da Comissão Nacional, disse ao DN que após ter conhecimento do alegado homicídio tratou de saber se já havia historial. «Havia um processo, mas nem sei de quando data nem o porquê do arquivamento», afirmou, acrescentando haver «estudos que referem que nos casos de morte de crianças por maus tratos geralmente existe um historial de violência». Dulce Rocha diz que o importante é saber o que se passou «para não se ter detectado uma situação de risco». «Há casos em que não é possível saber com certeza, temos de estudar mais e estar mais atentos», concluiu.

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