Jovem relatou que foi abusado por Herman José

A principal testemunha do processo da Casa Pia disse, ontem durante a 91.ª sessão do julgamento, que também foi sexualmente abusado pelo humorista Herman José numa casa em Azeitão.

O jovem, porém, e a conselho dos seus advogados, não respondeu à pergunta sobre como foi para essa habitação. Ricardo Sá Fernandes, advogado de Carlos Cruz, insistiu na questão, mas a juíza Ana Peres não a permitiu. O advogado acabou por sair do tribunal visivelmente irritado.

De acordo com a reconstituição feita pelo DN, o jovem foi questionado por Ricardo Sá Fernandes se foi abusado sexualmente por Herman José. A testemunha respondeu afirmativamente, situando os alegados abusos numa casa do humorista em Azeitão. Então, o advogado de Carlos Cruz questionou-o sobre como foi para essa casa. É nesta pergunta que a testemunha solicitou uma pausa e, aconselhado pelos seus advogados, disse não querer responder. Os advogados da Casa Pia fizeram então uma declaração para acta considerando que este tipo de perguntas e a respectiva resposta podem levar a que a testemunha incorra em responsabilidade criminal.

Os advogados lembraram que já no decurso do julgamento foram movidos contra o mesmo jovem queixas-crime pelos representantes legais do ex-deputado socialista Paulo Pedroso e pelo antigo líder do PS Ferro Rodrigues, por declarações prestadas em tribunal.

A juíza presidente do colectivo deu razão aos representantes do jovem, considerando que a lei é clara nesta matéria e que ao assistente cabe o direito de não responder se entender que a resposta pode levar a procedimento criminal contra si.

Esta decisão irritou o advogado de Carlos Cruz que, de imediato, ditou para a acta, de uma forma veemente, segundo fontes contactadas pelo DN, um requerimento, no qual defendeu a pertinência da pergunta formulada. Sá Fernandes argumentou ainda que a decisão da juíza colocava em causa direitos elementares da defesa do seu cliente, assim como a descoberta da verdade material do processo, sobretudo no que diz respeito à credibilidade das declarações proferidas pelas alegadas vítimas em julgamento.

Perante o mal estar instalado, o tribunal adiou para amanhã uma decisão sobre a matéria. À saída da sessão ninguém quis comentar o caso.


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