Advogado das vítimas considera "razoável" nova data

O advogado das vítimas do processo Casa Pia entende que 7 de setembro é uma data "razoável" para a próxima sessão da repetição parcial do julgamento, tendo em conta que o coletivo tem outros processos urgentes.

Miguel Matias falava à saída das Varas Criminais de Lisboa, depois de a presidente do coletivo de juízes, Ana Peres, ter marcado a próxima sessão da repetição do julgamento, sobre os factos ocorridos em Elvas, para 7 de setembro, após as férias judiciais.

O advogado observou ainda que os assistentes/vítimas nunca se opuseram a que o processo decorresse de forma célere, ao contrário do que fizeram os arguidos.

Miguel Matias antevê mesmo que, tendo sido dado prazo para a defesa dos arguidos apresentar nova prova, estes venham a arrolar de novo centenas de testemunhas, dificultando a rapidez do processo.

"Não podemos ter dois pesos e duas medidas. Dizer uma coisa e fazer outra coisa durante oito anos", criticou Miguel Matias, contestando os argumentos invocados hoje por Ricardo Sá Fernandes.

O advogado das vítimas apontou também a intenção da defesa do ex-motorista da Casa Pia e arguido Carlos Silvino de voltar a ouvir testemunhas que já foram ouvidas anteriormente, numa atitude que irá causar demora à nova produção de prova.

Carlos Cruz não quis prestar declarações, o mesmo acontecendo com a advogada oficiosa de Carlos Silvino e Manuel Silva, defensor de Gertrudes Nunes, dona da casa de Elvas onde os factos terão ocorrido e que hoje foi dispensada de estar presente.

Também o advogado e arguido Hugo Marçal não quis prestar declarações no final da sessão, que decorreu numa sala exígua das Varas Criminais, com apenas 12 lugares.

O processo Casa Pia regressou hoje a julgamento em primeira instância, depois de o Tribunal da Relação de Lisboa ter mandado repetir em fevereiro a produção de prova relativa aos alegados crimes sexuais cometidos contra ex-alunos numa vivenda em Elvas.

O acórdão de primeira instância, que havia condenado seis dos sete arguidos a penas de prisão efetiva, foi proferido em Setembro de 2010, depois de uma maratona judicial que durou quase seis anos, em que foram ouvidas perto de mil testemunhas.

Com exceção de Carlos Silvino, "Bibi", nenhum dos arguidos admitiu a prática de abusos sexuais de menores, reclamando inocência.

O coletivo de primeira instância, presidido pela juíza Ana Peres, condenou Carlos Silvino (18 anos), Carlos Cruz e Ferreira Diniz (sete anos), Jorge Ritto (seis anos e oito meses), Hugo Marçal (seis anos e dois meses), Manuel Abrantes (cinco anos e nove meses) e absolveu Gertrudes Nunes. Os condenados ficaram ainda obrigados a pagar indemnizações às vítimas.

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