Advogada de Hugo Marçal considera absolvição "uma derrota para MP"

A advogada de Hugo Marçal, no julgamento relativo à casa de Elvas, considerou hoje que a absolvição de quatro arguidos do processo Casa Pia é "obviamente uma derrota" para o Ministério Público do "ponto de vista processual".

Sónia Cristovão falava aos jornalistas à saída das Varas Criminais de Lisboa, onde o coletivo, presidido por Ana Peres, decidiu absolver o advogado Hugo Marçal, o apresentador Carlos Cruz, o ex-motorista casapiano Carlos Silvino e Gertrudes Nunes, dona da casa de Elvas, onde, segundo a acusação, alunos casapianos terão sido abusados sexualmente, por alguns dos arguidos.

Sónia Cristovão admitiu que o tribunal absolveu Hugo Marçal com base no princípio "in dubio pro reo" (em caso de dúvida, decide-se a favor do réu), mas que a decisão é importante porque permite ao arguido encerrar um capítulo da sua vida e recomeçar outro.

A advogada revelou que já tinha comunicado o veredicto do tribunal a Hugo Marçal, o qual "reagiu com muita emoção", depois de tudo o que passou, nos últimos oito anos, com este processo, em termos de vida pessoal e familiar.

Sónia Cristovão realçou a importãncia desta absolvição, notando que, com ela, "Elvas acabou", explicando que "acabou por cair aquele que era o grande palco da acusação", ou seja aquela cidade alentejana, onde figuras importantes da sociedade portuguesa teriam abusado de menores casapianos.

"Elvas acabou", insistiu a advogada, dizendo não acreditar que a absolvição hoje proferida venha a ser alterada pelo Tribunal da Relação de Lisboa, caso o Ministério Público venha a recorrer da decisão, como é expectável que suceda face à importância da matéria.

Por seu lado, Manuel Gonçalves Silva, advogado de Gertrudes Nunes, foi parco em palavras, à semelhança do que aconteceu em todo o processo Casa Pia, limitando-se a dizer que a absolvição "era o que esperava" e "sempre esperou".

Mesmo que o Ministério Público recorra da decisão, o advogado de Gertrudes Nunes diz que mantém a "mesma esperança" na absolvição.

A leitura do acórdão realizou-se hoje sem a presença dos quatro arguidos, dispensados pelo tribunal.

No processo Casa Pia, o médico Ferreira Diniz, que apresentou recurso com a fundamentação da prescrição dos crimes, foi condenado a sete anos de prisão e já cumpriu 16 meses de prisão preventiva.

Carlos Cruz foi condenado a sete anos de prisão efetiva (cumpriu 16 meses de preventiva), o ex-embaixador Jorge Ritto, a seis anos e oito meses de prisão (cumpriu 13 meses), e o ex-provedor da Casa Pia Manuel Abrantes, a cinco anos e nove meses de prisão (cumpriu um ano).

O advogado Hugo Marçal tinha sido condenado a seis anos e meio de prisão e esteve cinco meses em prisão preventiva.

Todos estes arguidos, à exceção de Ferreira Diniz e Hugo Marçal, agora absolvido, aguardam que a 8.ª Vara Criminal proceda à emissão dos mandados de condução ao estabelecimento prisional.

Carlos Silvino, antigo motorista da Casa Pia, que cumpre pena de 15 anos de prisão (esteve três anos e meio em prisão preventiva, o período máximo previsto na lei), é o único arguido no processo que está preso.

Gertrudes Nunes, proprietária da casa de Elvas, foi absolvida no processo Casa Pia.

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