Assalto no BES: resposta eficaz a um crime pouco comum

No dia 7 de Agosto de 2008, dois jovens brasileiros protagonizaram uma das mais mediáticas tentativas de assalto a um banco de que há memória em Portugal, onde crimes deste tipo são pouco comuns.

Os assaltantes, Wellington Nazaré e Nilson Souza, tomaram de assalto a dependência do BES (Banco Espírito Santo) de Campolide, na Rua Marquês de Fronteira, em Lisboa, sequestrando seis pessoas: dois homens e quatro mulheres.

Durante quase nove horas, o Grupo de Operações Especiais (GOE) da PSP tentou negociar com os assaltantes. Ao final da noite, num dos momentos mais complicados do processo de negociação, quando os criminosos apontavam, à porta do banco, uma arma à cabeça de um refém, a polícia actuou eficazmente.

A PSP tentou que os assaltantes se expusessem e deram ordens para que, à primeira oportunidade, os atiradores furtivos no local imobilizassem os assaltantes armados. Nilson foi alvejado e teve morte imediata; Wellington sofreu ferimentos muito graves, mas sobreviveu. Todos os reféns escaparam ilesos ao sequestro.

Wellington, o assaltante que sobreviveu, foi condenado a 11 anos de cadeia pelos crimes de sequestro e detenção de arma proibida, pena que foi reduzida para oito anos e meio pelo Tribunal da Relação de Lisboa, após recurso da defesa.

A defesa recorreu ainda para o Supremo Tribunal de Justiça, para que os cinco crimes de sequestro de que Wellington é acusado contem apenas como um. Se o recurso não for aprovado, uma das apostas prováveis da defesa será pedir a extradição do assaltante para o Brasil, onde a liberdade condicional é concedida após cumprimento de um terço da pena - contando com os dois anos de prisão já cumpridos pelo condenado em Portugal.

Esta história encheu, durante vários dias, as páginas dos jornais portugueses e teve grande repercussão mediática, graças aos vídeos e fotografias do assalto e do processo de negociação que foram difundidos.