"Há muita tendência para acabar com o que é bom"

A mudança na lei para proteger produtos artesanais vai possibilitar que a fábrica de amêndoas de Portalegre seja reaberta?

A fábrica será reaberta quando tudo estiver em ordem. Quem a vai reabrir agora é um dos meus filhos. Ele está a fazer o projecto com um engenheiro da ARESP (Associação da Restauração e Similares de Portugal). Este projecto está ainda a decorrer para ser submetido à câmara. Não é de um dia para o outro.


Tiveram então a iniciativa para retomar a vossa actividade sem esperar a entrada em vigor de uma nova legislação?

Sim. Decidimos retomar para que o negócio familiar não morresse. Acho bem a nova lei, só é pena que primeiro tivessem feito outra que estragou tanta vida e perturbou tanta gente. É pena que primeiro se destrua. O choque foi irreversível. Com 58 anos, a trabalhar nas amêndoas desde que nasci, vi-me impossibilitada de desempenhar as minhas funções.


Quando a fábrica fechou receberam alguma compensação ou ajuda para reestruturar o espaço? Houve algum contacto da câmara municipal ou de outros produtores?

Nada, de ninguém. Contactaram-nos o Pedro Mota Soares e o Paulo Portas, do CDS-PP, e debateram o assunto na Assembleia da República. Fizeram força para que esta lei fosse para a frente. Da câmara e de outros produtores, ninguém disse nada.


Existem outras burocracias que continuam a pôr em risco a confecção das amêndoas de Portalegre?

Não. Temos tudo em dia. O problema que levou ao fecho da fábrica era apenas o espaço. Agora, o meu filho tratará de tudo para que se mantenha a tradição das amêndoas de Portalegre.


A ASAE está a afectar a produtividade da região? Conhece outros casos?

Apenas posso referir o meu assunto porque foi o que realmente me doeu e é aquele que realmente me interessa.


É difícil ser informado sobre tudo o que se deve fazer para estar dentro dos limites legais?

Por nossa iniciativa fomos ao centro de formação, fizemos um curso de segurança e higiene ambiental e percebemos o que era exigido. Vimos que era mais do que imaginávamos.


Que medidas gostaria de ver postas em prática para assegurar o futuro da gastronomia e da doçaria portuguesa?

Gostava que os produtos das nossas regiões fossem realmente protegidos, que não nos ficássemos por promessas. Há muita tendência para acabar com o que é bom. Mas tenho esperança que as coisas corram bem para os produtos tradicionais.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG