Santos Silva acusa Passos Coelho de "mudar de convicções como quem muda de casaco"

O dirigente socialista Augusto Santos Silva acusou hoje o líder do PSD de "mudar de convicções como quem muda de casaco", referindo-se à sugestão de Passos Coelho sobre a reavaliação da legislação do aborto e apontou mesmo uma contradição desde 2008.

"Mais uma vez se regista que o PSD tem uma agenda política que procura disfarçar ou mesmo esconder. Se considerava isso, devia constar do programa eleitoral, tal como sucedeu com a Educação, cujo programa também não correspondia ao que ele quer implementar", afirmou Santos Silva, em conferência de imprensa. O responsável do PS aconselhou o líder "laranja" a assumir "de uma vez" as opiniões veiculadas como suas e a não se esconder "atrás de uma suposta iniciativa de cidadãos" porque "não se espera que os líderes políticos mudem de convicções como quem muda de casaco".

"O PSD pretende pôr em causa avanços civilizacionais e o Serviço Nacional de Saúde. O Dr. Passos Coelho procura provocar uma ruptura onde em Portugal se regista um consenso", continuou, sublinhando que o presidente do PSD "muda de discurso em função daquilo que supõe ser o interesse dos vários auditórios".

O ainda ministro da Defesa Nacional lembrou que "os Portugueses decidiram livremente em 2007, por referendo, despenalizar a IVG (interrupção voluntária da gravidez) com dois objectivos - evitar que as mulheres fossem presas pela prática e combater o flagelo do aborto clandestino". Citando uma entrevista de Passos Coelho ao Diário Económico de 15 de maio de 2008, Santos Silva criticou a mudança de opinião do líder social-democrata, o qual declarou então ter votado "sim" no referendo, contrariamente ao que afirmou hoje, quando sugeriu que se foi "longe de mais".

"Da primeira vez, votei não. Da segunda, sim. Da primeira, achei que estava mais próximo da minha posição de princípio e que tínhamos um quadro legal que já permitia o aborto em situações de excepção como ele deve ser visto. Mas o Estado demitiu-se durante muito tempo da função de informar os mais jovens e desfavorecidos. Achei que estava na altura de se ir mais longe e resolver um problema social grave, que existe e que o Estado se demitiu de prevenir", lê-se naquela edição do jornal económico.

Santos Silva destacou ainda os relatórios anuais da Direcção-Geral de Saúde sobre a aplicação da lei da IVG, "auditados e avaliados pela comunidade médico-científica", frisou que "não há notícia de uma única morte provocada pelo flagelo do aborto clandestino", embora admitindo a introdução de "algumas melhorias na legislação".

O líder do PSD, Passos Coelho, defendeu que a lei que despenalizou a IVG até às dez semanas pode "ter ido um pouco longe demais" e tem de ser reavaliada, admitindo a possibilidade de realização de um novo referendo sobre a matéria, mas apenas depois dessa avaliação.

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