Comissão Nacional vai marcar eleição directa do líder

A Comissão Nacional do PS de terça-feira vai já marcar a eleição directa do novo líder e também o congresso extraordinário, o que contraria o processo inicial seguido pela direção cessante dos socialistas.

Na ordem de trabalhos da Comissão Nacional do PS, à qual a agência Lusa teve acesso, refere-se que a reunião deverá proceder à marcação da data do XVIII Congresso Nacional (ponto dois); à apresentação, discussão e votação do regulamento para a eleição do secretário-geral e do regulamento para a eleição de delegados ao congresso (ponto três); e à eleição da Comissão Organizadora do Congresso (ponto quatro).

Em sentido contrário a esta metodologia, no domingo à noite, a maioria dos membros do Secretariado Nacional inclinou-se para separar por pelo menos dois meses os processos da eleição direta do sucessor de José Sócrates no cargo de secretário-geral, que seria em Julho, da marcação do congresso extraordinário, que passaria para setembro ou outubro.

No entanto, de acordo com fontes da direcção do PS, essa separação foi "vivamente contestada por vários sectores do partido", porque obrigaria o novo líder eleito em Julho a submeter a sua equipa de direção (Secretariado Nacional) aos votos da Comissão Nacional cessante, com uma ampla maioria de membros ainda escolhidos por José Sócrates.

Na sequência do último congresso, em Matosinhos, em Abril último, também foi um dado claro que o grupo mais próximo de António José Seguro (que deverá anunciar dentro de dias a sua candidatura à liderança) ficou com uma representatividade enfraquecida nos órgãos nacionais - redução de representatividade que posteriormente também acabou por se estender às listas de candidatos a deputados.

Ainda de acordo com as mesmas fontes, na contestação à separação por dois meses das datas das "directas" e do congresso extraordinário, pesou também o argumento da situação política nacional e da possibilidade de o CDS impor a abertura dos trabalhos parlamentares durante o mês de agosto.

Na ideia inicial da direcção cessante, estava a repetição do modelo de 2002, na sequência da demissão de António Guterres do cargo de secretário-geral do PS, no qual Ferro Rodrigues foi eleito em fevereiro e só teve o congresso da sua consagração em outubro.

"Mas nessa altura, Ferro Rodrigues apresentou-se à liderança como candidato do consenso, o que não acontece agora, e havia pela frente eleições em março, o que também não acontece agora", alegou à agência Lusa um deputado do PS.

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