António Costa pressionado para disputar a liderança

O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, está a ser pressionado para avançar com uma candidatura ao cargo de secretário-geral do PS, sendo visto como o único com possibilidades de derrotar Seguro em eleições directas.

Elementos próximos do autarca de Lisboa adiantaram à Lusa que segunda-feira de manhã era dado como praticamente adquirido que António Costa não entraria na corrida, mas as pressões para que refletisse sobre uma candidatura aumentaram ao longo do dia.

Por isso, hoje, nenhum dos seus principais apoiantes deu como encerrado o tema da sua eventual candidatura à liderança do PS.

Hoje, pelas 20:30, António Costa estará numa cerimónia nos Paços do Concelho para entregar a medalha de ouro da capital à cantora brasileira Maria de Bethânia, só depois se deslocando para o hotel onde decorrerá a Comissão Nacional do PS.

De acordo com dirigentes socialistas ligados à direção cessante, as pressões políticas para que António Costa avance aumentaram à medida que cresceu a convicção que o ainda líder parlamentar do PS, Francisco Assis, poderá não ter condições reais no terreno para se bater com a máquina organizada de António José Seguro.

A ideia é que António Costa, nestes anos de oposição, arranje um bom líder da bancada na frente parlamentar e um bom coordenador na direção para as eleições autárquicas, sendo assim possível conciliar a presidência da câmara de Lisboa com a liderança partidária.

No entanto, António Costa tem resistido a esta ideia, porque considera decisivos os dois últimos anos do seu mandato na Câmara de Lisboa, nos quais terá de concluir projetos de elevada dimensão como a reabilitação da Ribeira das Naus, o plano do arquiteto Renzo Piano para o Braço de Prata ou o programa de consolidação financeira da autarquia.

Por outro lado, Costa tem também em linha de conta a "má memória" que o ex-chefe de Estado Jorge Sampaio diz ter dos anos em que acumulou a presidência da câmara de Lisboa com o cargo de secretário-geral do PS (entre 1989 e 1992) -- experiência que terminou com a derrota nas legislativa de 1991 e com a segunda maioria absoluta alcançada por Cavaco Silva.

Neste momento, o principal objectivo de António Costa - nisso são unânimes os elementos próximos de si contactados pela Lusa - é deixar uma marca na Câmara de Lisboa.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG