Soares em 2006 e Alegre em 2011 desperdiçaram o mesmo eleitorado

A matemática eleitoral revela que as derrotas presidenciais de Mário Soares e de Manuel Alegre são, afinal, quase idênticas: os dois históricos socialistas conseguiram captar apenas 30% dos eleitores que antes tinham votado nos partidos que os apoiavam na corrida para o palácio cor-de-rosa.

Apenas com o suporte oficial do PS, que tinha conquistado a maioria absoluta em Fevereiro de 2005, onze meses depois, em Janeiro de 2006, Mário Soares, o ex-presidente da República e figura mítica do partido, só recolhia 785 mil votos de entre os 2588 mil que tinham votado em José Sócrates - isto é, em termos percentuais, 30,33% do seu potencial eleitorado.

E quando o político-poeta Manuel Alegre era suportado por PS, BE e PCTP/MRPP, que juntos reuniram um universo de 2714 mil votos nas legislativas de Setembro de 2009, 16 meses passados, em Janeiro de 2011, o histórico candidato socialista apenas obtinha a confiança de 832 mil eleitores - isto é, 30,66% da sua hipotética base de apoio. Coincidências.

A crueza dos números também não sorri a Francisco Lopes, o dirigente comunista que o País passou a conhecer, mas cuja percentagem escondeu a realidade eleitoral.

A opção de o PCP avançar com um candidato próprio, e que só desistiu de ir às urnas em três ocasiões (em 1980, Carlos Brito aconselhou o voto em Eanes; em 1986, Ângelo Veloso abandonou a favor de Salgado Zenha; em 1991, Jerónimo de Sousa desistiu para Jorge Sampaio), quase sempre teve maus resultados. Logo em 1976, Octávio Pato era o último na votação, com 7,6% - mas quase 366 mil votos. Embora já muito distante do número mítico do milhão de eleitores da APU - com um pico nas legislativas de 1979, em que a coligação comunista chegou aos quase 1,13 milhões -, Carlos Carvalhas obteria o melhor score comunista nas presidenciais de 1991, com 12,9% e 635 mil votantes. Depois, em 2006, Jerónimo de Sousa atingia os 8,6% e convencia 474 mil eleitores.

Até hoje, o desempenho comunista mais negativo em legislativas foi quando o PCP-PEV se quedou, em 2002, por menos de 380 mil votos. Assim, a votação de Francisco Lopes, se garantiu 7,1%, apenas conquistou cerca de 301 mil eleitores. Só António Abreu, nas presidenciais de 2001, com 223 mil votos, registou pior. F. M.

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