Os motivos da abstenção de três "líderes de opinião"

Foram três os professores conhecidos do grande público que ameaçaram não votar nas últimas eleições: Paulo Guinote, Carlos Abreu Amorim e João César das Neves. Os motivos que levaram à abstenção foram diferentes e houve até um dos três que, no último momento, "não fugiu ao princípio da votação". O economista João César das Neves acabou por votar apesar do "descontentamento" e da "pouca motivação", considerando que , apesar de "anormais, dado o contexto", ainda é cedo para perceber o que representarão estas eleições.

Já o professor de História Paulo Guinote, por não se "identificar com nenhum dos candidatos" ou com os "projectos que estes desenvolviam", não votou. O professor considera que a abstenção se justifica através da recusa da maioria da população de votar num "mal menor", acrescentando que os "políticos defendem que a abstenção se resume a uma apatia e alienamento das pessoas mas, na verdade, é a incompatibilidade entre o cidadão e os políticos que está em causa".

Para o professor e jurista Carlos Abreu Amorim o "modelo presidencial não justifica uma votação". Acreditando que a eleição presidencial deveria ser como " na Alemanha ou na Itália", o jurista considera que o Presidente da República "não tem poderes efectivos", sendo uma "burla constitucional". Para Abreu Amorim, o PR é uma "inutilidade" e a abstenção justifica-se através de três tipos de postura adoptados pela população: "aqueles que não se interessam por política; os que estão desmotivados com o sistema político, tanto da esqueda como da direita"; e ainda , aqueles que, como ele, acreditam que o PR "não serve para nada".

O jurista afirmou ainda que "60% dos portugueses acharam inútil votar para o PR" e disse considerar um absurdo os votos em branco não serem válidos na eleição presidencial.

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