O voto perdido que podia ter custado Alcácer ao Presidente

O distrito que já foi vermelho entregou os seus votos ao inquilino de Belém. Mas em Alcácer do Sal, onde ganhou por um voto, as contas podiam ter saído furadas

O que leva um militante do PSD a "roubar" um voto ao candidato apoiado pelo partido onde paga quotas desde 1974 para o dar a outro? Ainda por cima, quando sabia que a direita podia alcançar uma vitória histórica, a primeira em Alcácer do Sal? Em protesto, António José Carqueijeiro decidiu pôr a cruz em Fernando Nobre. Estava longe de imaginar que Cavaco iria ganhar aqui com apenas um voto de diferença sobre Francisco Lopes.

No quiosque dos jornais onde trabalha reconhecia ontem não estar arrependido da opção, mesmo que o seu voto pudesse ter retirado a Cavaco o inédito pleno no "vermelho" distrito de Setúbal. "Não fui só eu. Houve muita gente do PSD que votou noutros e alguns que nem votaram. A sorte do Cavaco aqui foi ter ido buscar votos ao PS, porque a malta não gosta do Alegre", disse ao DN, justificando que as "bases" andam arredias desde a alegada "troca de entendimentos" entre PR e o Governo.

A comparação com as eleições de 2006 reforça a tese deste laranja. Há cinco anos, Cavaco ficou em terceiro lugar (com menos 500 votos do que Jerónimo de Sousa e Manuel Alegre) conquistando 1539 eleitores, e no domingo ganhou o concelho, com menos nove votos que em 2006. Jogou a seu favor os menos 2150 eleitores que votaram.

O cenário é transversal ao vizinho concelho de Grândola, outro ex-bastião do PCP, liderado por Carlos Beato, independente do PS, que voltou a ser o mandatário de Cavaco no distrito. Em 2006, os 2354 votos não chegaram para vencer Jerónimo (com 2387), mas domingo 1996 eleitores bastaram para garantir uma vitória confortável frente aos 1564 votos de Francisco Lopes. "Já é hora de darmos oportunidade a outro. Pelo menos este parece que gosta de Grândola, tem vindo cá muito", admitia Marta Oliveira, antiga eleitora da CDU, que viu pela primeira vez uma vitória da direita no concelho onde nasceu há 52 anos.

Por estas e por outras, como Barreiro e Moita, onde só a esquerda tinha festejado desde 1974, o ambiente era ontem de "euforia" no PSD. A vitória de Cavaco nos 13 concelhos de Setúbal estava a ser encarada como "um sinal" do eleitorado para votar nas ideias do PSD.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG