Nem um eleitor no Corvo votou em Defensor Moura

Zero! Nada! Nenhum! Nem sequer um dos eleitores da ilha do Corvo votou em Defensor Moura, o último classificado nas presidenciais de domingo, que concentrou a maior parte da votação no seu distrito (onde variou entre os 3,27% em Arcos de Valdevez e os 20,07% em Viana do Castelo), obtendo ainda 4,33% em Esposende e 3,07% em Braga. Além do Minho, conseguiu ir ao Algarve registar 2,43% em Aljezur e 2,05% em Loulé, mas ficando abaixo da fasquia do 1% em 103 concelhos.

Em jeito de contraste, o mapa do vencedor, se for pintado por percentagens, tem a tonalidade acima dos 70% em boa parte do País, com destaque para Alvaiázere (80,76%), Boticas (79,42%), Oleiros (79,18%) e Vagos (79,05%) - curiosamente, nenhum município do distrito de Viseu, tradicionalmente denominado "Cavaquistão", mas que esteve abaixo das médias dos círculos de Vila Real e de Bragança. Mas para se perceber melhor a dimensão da distância face aos adversários basta reparar que os resultados mais fracos de Cavaco Silva - obtidos em Aljustrel (21,12%) e em Avis (24,24%) - são superiores à percentagem nacional de Manuel Alegre.

O grande derrotado de domingo só ganhou, aliás, em três concelhos alentejanos: Castro Verde, Alandroal e Campo Maior, embora as suas melhores percentagens tenham sido registadas no Corvo (35,86%) e em Gavião (35,74%) - e ainda teve votações superiores a 30% em Vizela, Borba, Reguengos de Monsaraz e Povoação. Mas Manuel Alegre não chegou sequer aos 10% em sete concelhos do Continente (Murtosa, Oliveira do Bairro, Vagos, Oleiros, Vila de Rei, Alvaiázere e Ourém) e em nove da Madeira (Calheta, Câmara de Lobos, Funchal, Ponta do Sol, Porto Moniz, Ribeira Brava, Santa Cruz, Santana e São Vicente), com o seu score mínimo a ocorrer na Calheta (3,85%).

E na Madeira, onde todas as candidaturas laranjas costumam arrasar, o fenómeno José Manuel Coelho conseguiu a proeza de ficar à frente de Cavaco Silva em Santa Cruz (47,78%), no Funchal (41,45%, e única capital de distrito perdida pelo incumbente a Belém) e em Machico (41,09%), só baixando dos 30% em Porto Santo (29,61%) e na Calheta (25,48%).

Mas o outsider também foi bem acolhido um pouco por todo o País, com votações acima dos 5% em Belmonte, Monchique, S. Brás de Alportel, Azambuja, Monforte, Constância, Golegã, Lajes do Pico, Madalena e Lajes das Flores; acima dos 6 % no Fundão e em quatro concelhos açorianos ( Vila Porto, Nordeste, Povoação e Velas); e com uns expressivos 7,07% em Aljezur. Abaixo dos 2% só nos resultados em Freixo de Espada à Cinta, Vimioso (1,27%, a sua pior votação), Boticas, Montalegre, Ribeira de Pena e Calheta.

E, na comparação entre os dois nomes anti-sistema, se no caso de Coelho se enumeram os municípios onde superou a barreira dos cinco pontos - esse patamar que, sendo nacional, garante o subsídio atribuído para as despesas de campanha -, os mais fracos desempenhos de Fernando Nobre são nos poucos municípios onde ficou aquém dos 5%, sendo todos nas ilhas: Santa Cruz da Graciosa, Corvo, Calheta, Machico, Ponta do Sol, Porto Moniz (3,06%, o mais fraco), Ribeira Brava e Santana. Em contrapartida, superou os 18% em Aveiro e em Setúbal, mas também em Lagoa, Olhão, Celorico da Beira, Marinha Grande, Oeiras, Cartaxo, Vila Nova da Barquinha, Seixal, Sesimbra e Portimão, ultrapassando até a média nacional de Manuel Alegre no Entroncamento (20,82%) e em Lagos (21,13%).

Francisco Lopes, cuja percentagem geral disfarçou a fraca votação (ver outra peça), não repetiu a façanha de Jerónimo de Sousa em 2006, quando o líder comunista "roubou" a vitória a Cavaco no tradicionalmente "vermelho" distrito de Beja. Agora, além de ter permitido que o candidato da direita vencesse em todos os concelhos do distrito de Setúbal, o candidato apoiado por PCP e PEV ganhou em Aviz (44,16%), Serpa, Aljustrel, Cuba, Mértola, Alpiarça, Arraiolos, Montemor-o-Novo, Mora e Portel - sempre com votações acima dos 30%, limiar que, embora não vencendo, também registou em Viana do Alentejo. E só em dois concelhos ficou aquém do 1%: em Oleiros (0,9%) e na Calheta (0,9%).

Reparando no mapa eleitoral, onde só 16 municípios não votaram maioritariamente em Cavaco Silva (dez foram de Francisco Lopes, três de Manuel Alegre e outros três de José Manuel Coelho), a norte do Tejo, além do laranja, não se vê qualquer outra cor. Nenhuma! Nada! Zero!

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