Nem Beja resistiu à onda vencedora

alentejo "Isto já nada surpreende." Entre um grupo de amigos à conversa junto ao Jardim do Bacalhau, em Beja, o assunto anda à volta das presidenciais. Desta vez não houve excepções e Cavaco Silva ganhou em todos os distritos, mesmo em Beja, onde há 5 anos a vitória havia sorrido ao candidato apoiado pelo PCP, Jerónimo de Sousa. De então para cá muito mudou. O antigo bastião comunista foi conquistado pelo PS. E agora foi a vez de um candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS vencer as eleições no distrito. "As pessoas convenceram-se de que não havia alternativa. Estava frio e a chover, muitas nem foram votar", diz um dos homens.

No seu blogue Praça da República, um dos mais influentes da cidade, o social-democrata João Espinho não tem dúvidas ao referir-se ao resultado das eleições de domingo como sendo uma "derrota" para o PCP: "[Foi] mais um muro que caiu." Cavaco ganhou em 9 dos 14 concelhos do distrito.

Miguel Madeira, responsável pela organização de Beja do PCP, não podia estar mais em desacordo: "Percentualmente, a votação de Francisco Lopes aproxima-se muito da conseguida por Jerónimo de Sousa em 2006." Uma quebra eleitoral de 1,09%, enquanto a votação em Cavaco subiu cerca de seis pontos percentuais. "O que houve foi uma incapacidade do PS em concentrar votos no seu candidato e daí uma maior votação em Cavaco Silva", diz Miguel Madeira.

No Baixo Alentejo, Fernando Nobre contou com um apoio de peso: o socialista que preside à Câmara de Beja, Jorge Pulido Valente, que ontem se mostrou satisfeito com os resultados eleitorais "pela votação alcançada pelo Fernando Nobre e por mais esta derrota do PCP em Beja".

Castro Verde foi um dos raros municípios onde Manuel Alegre saiu vitorioso. Um dos apoiantes, o ex-autarca Fernando Caeiros, justifica: "É um município onde os partidos conservadores nunca tiveram resultado acima do sofrível."

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