Governo elogia... Passos e 'pede' tempo

Do Governo, ontem, parcas palavras se ouviram acerca dos resultados eleitorais. Em público, ouviram-se só as palavras de Jorge Lacão, no Fórum TSF, repetindo a mensagem que José Sócrates deixou: que os portugueses, como noutras eleições, preferiram a estabilidade - leia-se, a estabilidade política que o Governo tanto pede, para tentar cumprir os objectivos a que se propôs ao nível das contas públicas. Porém, de Lacão ouviu- -se uma palavra inesperada, sobretudo tendo em conta que falava da reacção de Pedro Passos Coelho ao resultado eleitoral: "elogio". E outra: "maturidade" - mais surpreendente esta quando o mesmo Jorge Lacão, em plenas negociações do Orçamento de 2011, falou de Passos como um líder "imaturo".

No fundo, o que o Governo pretende é ter paz política durante uns meses, esperando que o tempo passe com resultados para mostrar no Parlamento e em Bruxelas. E acredita-se que, fugindo ao FMI, também não haverá crise política.

Nas redes sociais, apenas um governante se atreveu a deixar comentários pós-eleitorais. Foi José Junqueiro, secretário de Estado do Poder Local, um dos mais fiéis a José Sócrates e à sua estratégia. Fê-lo para deixar três mensagens: a primeira, precisamente a elogiar o discurso de Passos (por contraponto à "pressa" de Paulo Portas por eleições); a segunda, sublinhar que Cavaco foi reeleito com me-nos 500 mil votos (estratégia que Vitalino Canas seguiu na TSF); a terceira, valorizando a sondagem TVI/Intercampus, que não dá maioria absoluta à direita e mostra um PS a subir.

Em suma, dizia Junqueiro, "fica a ideia de que o primeiro-ministro, em condições extraordinariamente difíceis mantém e faz crescer um capital de esperança".

É claro que não há, no Rato ou em S. Bento, dados adquiridos. Mas José Sócrates, pelo sim pelo não, já prometeu (na noite de domingo) "cooperação leal" com o Presidente reeleito. Na próxima quinta-feira voltará a Belém para o tradicional lanche.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG