"Abstenção terá custos políticos de curto prazo"

Teme uma abstenção recorde na eleição de hoje ?

Não é fácil saber se a abstenção vai superar os 50% de 2001. Creio que será alta - entre os 45 e os 50 e tal por cento. Mas é preciso dizer que a abstenção oficial não é a abstenção real. A julgar pelos dados do INE, temos mais 10% de recenseados do que eleitores reais.

A subida progressiva da abstenção na democracia significa desinteresse dos cidadãos?

A abstenção foi muito baixa na transição do regime. Na década de 90, dá um salto, mas estabilizou nos últimos anos, embora varie. Nas eleições legislativas, é mais baixa, nas europeias é mais alta, porque a percepção da sua importância é menor. As presidenciais são o que se chama eleições de segundo grau. É óbvio que há alguma apatia eleitoral. Mas a abstenção oficial não corresponde à realidade.

Qual o impacto da nova lei do recensamento automático?

O recenseamento automático vai pôr nos cadernos não só os jovens mas também alguns cidadãos que não se inscreviam para votar. Esses eleitores tendem para a abstenção. Mas ao mesmo tempo houve uma inspecção que tirou dos cadernos eleitores que não existem.

Participação baixa tira legitimidade política ao Presidente?

Uma abstenção moderadamente acima dos 50% terá custos políticos, mas de curta duração. Lembro-me de que essa avaliação foi feita em 2001 quando a participação foi de 49%. Certo é que Sampaio foi o mais interventivo que passou na Presidência: dissolveu um Parlamento com uma maioria aparentemente funcional e com um mandato mais recente.

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