Pressa, malas e espigas dificultam propaganda do MPT

O passo acelerado da hora de ponta e a concorrência dos vendedores da 'espiga', de lenços e até de malas "para a guerra do Vietname", dificultaram hoje a tarefa de Pedro Quartin Graça de distribuir propaganda do MPT.

"Para ir ao médico, para guardar a carteira, o tabaco e o isqueiro, para ir à praia e até para a guerra do Vietname", apregoa sem parar um vendedor, no Cais do Sodré, Lisboa, a tentar convencer que a pequena mala que tem nas mãos é imprescindível para quem a comprar.

Passageiros dos autocarros, metro, barcos e comboios, passam quase todos indiferentes ao líder do Movimento Partido da Terra (MPT), que ainda assim acredita que estas acções ajudam a somar votos nas legislativas de domingo.

Aqueles que aceitam o folheto do MPT "leem com atenção no transporte público ou no escritório mais tarde". Quando se vence o "hábito e o cansaço" de receber papel naquele local, há mais tempo e principalmente ao final do dia, o líder do MPT garante que consegue uma "troca de ideias".

O seu reconhecimento pelas pessoas na rua ao longo da campanha tem saldo positivo, avalia Quartim Graça, destacando a "força" que tem recebido sobretudo da juventude. "Vamos ver em que dose a nossa mensagem chegou. Estamos muito esperançados que seja possível conquistar o eleitorado muito significativo que nunca votou ou que optou por outras forças políticas e desta vez vai confiar o seu voto ao MPT", disse.

A vender molhos da 'espiga', cujo dia se assinala hoje entre a tradição religiosa da quinta-feira da Ascensão e a pagã do povo Maia, Liliana garante não saber quem ali está a distribuir propaganda e que a política é assunto que não lhe interessa. "Não estou a ver quem é. Não ligo muito a isso. Para mim são todos iguais e estão a fazer uma porcaria pelo nosso país", comenta. A jovem reparou que o líder do MPT estava no Cais do Sodré há já um "bocadinho". "É quem?", acaba por questionar e acrescentar ainda curiosidade pelo nome, mas acaba a conversa como a começou: "Eu tenho-os visto na televisão, mas não ligo muito à política. Sei que fazem todos a mesma coisa. São muito bons antes de entrar, mas depois de entrar...é assim", remata com um encolher de ombros.

Mais logo, Quartin Graça será um dos oito adversários nos debates televisivos com o Movimento Esperança Portugal (MEP) depois do tribunal de Oeiras ter determinado a realização de confrontos entre os partidos que se disponibilizassem, na sequência de providências cautelares interpostas pelo MEP e PCTP-MRPP. "Não era aquilo que desejávamos. Queríamos ter debatido em iguais circunstâncias, com o mesmo tempo que as formações ditas parlamentares. De qualquer forma, queremos debater ideias e propostas" disse.

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