"Vejam mesmo se é do FMI, se é de um técnico falso"

O presidente da câmara de Lisboa, António Costa, ironizou hoje o relatório encomendado pelo Governo ao Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a despesa do Estado, questionando se terá sido feito por um falso técnico.

"Com propostas dessa natureza, vejam mesmo se é do FMI, se é de um técnico falso", ironizou o autarca.

O presidente falava aos jornalistas no final de uma conferência de imprensa que decorreu nos Paços do Concelho após uma reunião de câmara.

Questionado pelos jornalistas acerca do relatório, António Costa não quis comentar por não ter lido o documento nem assistido à sua divulgação oficial pelo Governo.

Um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado hoje pelo Jornal de Negócios e entretanto disponibilizado no site do Governo, sugere que o Executivo poderá atingir o objetivo de um corte de 4 mil milhões de euros na despesa pública através do aumento das taxas moderadoras, a colocação em mobilidade especial de 30 a 50 mil funcionários (professores e pessoal não docente) e de um corte em todas as pensões.

Em nome do "aumento da eficiência do Estado, reduzindo a sua dimensão de forma a suportar a saída da crise", o FMI propõe a redução de funcionários e salários na Educação, Saúde e forças de segurança e cortes no Estado Social, que o Fundo considera iníquo, especialmente para os mais jovens.

O documento, em versão final, que entretanto já foi divulgado pelo Governo português, refere que há classes profissionais (polícias, militares, professores, médicos e juízes) que têm "demasiadas regalias".

É defendida ainda a aplicação de um corte transversal no salário base dos trabalhadores da Função Pública entre os 3% e 7% de forma permanente a partir de 2014.

A dispensa de pessoal docente e não docente, que permitiria uma poupança até 710 milhões, e um aumento das propinas no ensino superior são outras opções apontadas no relatório.

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