PSD acusa PS de "assobiar para o lado" para fugir ao debate

O deputado social-democrata Miguel Frasquilho defendeu hoje que Portugal chegou a um ponto sem retorno em que é impossível evitar uma reforma do Estado e criticou o PS por tentar "assobiar para o lado" neste debate.

Miguel Frasquilho falava em plenário, na Assembleia da República, depois de o PCP ter levantado a questão se o ex-secretário de Estado de Durão Barroso estaria em situação de impedimento no Parlamento, após ter sido nomeado pelo Governo para uma comissão destinada a reformar o IRC.

Nas suas intervenções, Miguel Frasquilho nunca se referiu a essa questão que o atingiu pessoalmente e centrou a sua tese na ideia de que Portugal "chegou a um ponto sem retorno", em que terá mesmo de travar o debate sobre a reforma do Estado.

Segundo o ex-secretário de Estado social-democrata, os indicadores sobre a evolução da receita e da despesa demonstram que o debate sobre a sustentabilidade do Estado Português "devia ter tido lugar no início do milénio, quando as despesas sociais dispararam essencialmente devido a dois fatores: o envelhecimento da população e o número crescente de apoios para combater a pobreza numa economia que praticamente deixou de crescer".

Face a este panorama, Miguel Frasquilho deixou um conjunto de perguntas à bancada socialista: "Quer o PS deixar tudo como está e continuar a aumentar impostos, como, em geral, tem acontecido nos últimos largos anos com as consequências que todos conhecemos?"

"Ou prefere o PS debater de que forma se pode tornar o Estado Português sustentável? O que o PS não devia estar a fazer é assobiar para o lado e fazer de conta que não é nada consigo", disse Miguel Frasquilho.

Na resposta, o deputado socialista João Galamba elogiou Miguel Frasquilho por defender uma "flexibilização" do programa de ajustamento financeiro e económico de Portugal, mas considerou "imprudente" que o Governo, depois de ter retirado mais de nove mil milhões de euros da economia, se prepare agora para cortar mais quatro mil milhões de euros.

João Galamba disse ainda que o recente relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), que se destinou a sustentar a reforma do Estado, apresenta dados "truncados, errados e outros incompletos".

Galamba acusou depois o Governo utilizar este relatório para seguir uma tática de "coação, choque e pavor", usando o FMI para negociar com os portugueses "em vez de usar os portugueses para negociar com o FMI".

Perante esta posição do deputado socialista, Adolfo Mesquita Nunes (CDS) pediu a palavra para responder: "Ouvindo o PS, até parece que a 'troika' (FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) criou a bancarrota em Portugal".

"A 'troika' veio para Portugal porque o país estava em bancarrota", contrapôs Adolfo Mesquita Nunes, numa referência ao segundo Governo liderado por José Sócrates.

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