PCP diz que conferência foi "espelho do estado do Governo"

O PCP defendeu que a conferência sobre a reforma do Estado que hoje termina em Lisboa foi "um espelho fiel do estado do Governo" e aludiu ao facto de a imprensa ter sido limitada na cobertura do evento.

"Quero em primeiro lugar pedir a todos os senhores jornalistas que gravem, citem, publiquem e transmitam esta intervenção e o debate que certamente se lhe seguirá", começou por afirmar o líder parlamentar do PCP, no início de uma declaração política no plenário da Assembleia da República.

Bernardino Soares sublinhou que a conferência sobre a reforma do Estado promovida pela ex-vice-presidente do PSD Sofia Galvão, "que supostamente era para falar do estado do Estado e acabou por ser um espelho fiel do estado do Governo".

"Uma conferência por convite do gabinete do primeiro-ministro, mas que era uma organização individual, ou da sempre útil 'sociedade civil' que, por acaso, era aberta por um dos delegados da Goldman Sachs no Governo - o secretário de Estado Carlos Moedas - e encerrada pelo próprio primeiro-ministro".

"O estado de descrédito a que o Governo chegou é tal que até já tem vergonha de si próprio e das iniciativas que organiza", afirmou.

Para o PCP, "o problema é que quanto mais se afunda o Governo, mais acelera a destruição do país e a concretização do seu programa de selvajaria social e devastação económica", argumentando que, por isso, "cada dia que passa se torna mais urgente travar este Governo".

"O Governo, Passos Coelho e Paulo Portas não estão enganados, estão determinados a entregar os direitos de quem trabalha, dos reformados e da população, a entregar a riqueza do país e os recursos do Estado nas mãos do capital", acusou.

"É isso que significa o suposto estudo do FMI, que é de facto do Governo e de todos os ministros, do PSD e do CDS, que nele participaram, que quererá concretizar tudo aquilo que conseguir", afirmou.

A deputada bloquista Mariana Aiveca fez uma declaração política sobre questões laborais, referindo o relatório de inverno do Banco de Portugal, que, afirmou, "demonstrou que é quem trabalha que continua a pagar a grande fatura da crise" e que "mais 100 mil empregos serão destruídos em 2011".

Para o Bloco, o Executivo "declarou guerra aos direitos", além de protagonizar um "assalto fiscal aos reduzidos rendimentos de milhares de famílias, empurrando para o fundo os salários que já são dos mais baixos da Europa", próximos dos da Roménia.

"Num país onde mais de 155 mil pessoas recebem menos de 310 euros por mês, num país onde o trabalho já não defende da pobreza, o Governo centra a sua política no ataque aos salários", defendeu.

Segundo Mariana Aiveca, "nem o direito ao descanso está a salvo da ofensiva do Governo" e que "à boleia" do Executivo "seguem patrões e administradores que aproveitam a toada para romper com os contratos coletivos de trabalho e para subverter o conceito da salvaguarda da parte mais fraca numa relação de trabalho".

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