Presidente BCE: "É crucial que Portugal confirme os projectos já aprovados"

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, apelou hoje a Portugal para manter os esforços de redução do défice previsto pelo primeiro-ministro ainda em funções, José Sócrates.

"É crucial que Portugal confirme os projectos que foram concebidos e aprovados pela Comissão, pelo BCE e pelos dirigentes da Zona Euro", declarou Trichet aos jornalistas, à saída da cimeira europeia, em Bruxelas, juntando-se assim aos vários apelos lançados neste sentido durante o dia por vários dirigente europeus.

O primeiro-ministro demissionário apresentou a 11 de Março uma série de novas medidas de austeridade para garantir que o défice público desça para os 4,6 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011 e para os três por cento do PIB no ano seguinte. Estas medidas foram saudadas pela Comissão Europeia, pelo BCE e pelos dirigentes da Zona Euro, reunidos nesses dia num encontro.

O primeiro-ministro, José Sócrates, apresentou na quarta-feira a demissão ao Presidente da República por considerar que ficou sem condições para governar, depois de o Parlamento ter chumbado o PEC 4 proposto pelo Governo.

A situação em Portugal dominou hoje o início da reunião dos líderes da União Europeia em Bruxelas, com o primeiro-ministro José Sócrates a assegurar que o país cumprirá os compromissos que tem com a Europa. Fonte diplomática revelou que José Sócrates sublinhou que Portugal "saberá estar à altura das suas responsabilidades e cumprirá os seus compromissos com a Europa".

Sócrates também insistiu que o país não necessita de momento de recorrer a um resgate internacional, tendo os restantes líderes reconhecido que cabe a Portugal solucionar a crise em que se encontra e decidir sobre um eventual pedido de apoio, segundo outra fonte diplomática europeia.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, e o chefe do Governo de Espanha, José Luis Zapatero, terão tido, segundo as fontes, as palavras mais calorosas em relação a Sócrates.

Os chefes de Estado e de Governo da UE brindaram José Sócrates com uma salva de palmas, uma tradição do Conselho Europeu para se despedir de um membro que poderão estar a ver pela última vez nas actuais funções.

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