'Maioria dos portugueses apoia a consolidação orçamental'

O presidente da Comissão Europeia reconheceu ainda, em conferência de imprensa, que "existem dificuldades políticas" em Portugal, algo que é "normal acontecer em democracias", mas disse estar "confiante" em que o país encontre um rumo.

"Daquilo que sei vai haver consenso. A maioria dos portugueses apoia a consolidação orçamental, a redução do défice e da dívida pública", acredita José Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia, referindo-se à aplicação das medidas de austeridade que garantam os compromissos de Portugal relativamente ao reequilíbrio das contas públicas e à necessidade de fazer mais reformas estruturais.

Em declarações aos jornalistas portugueses, à margem do Conselho Europeu que decorre hoje e amanhã em Bruxelas, Barroso mostrou alguma inquietação quanto a uma eventual lentidão na implementação das medidas. "Considero absolutamente necessário que Portugal atinja os objectivos de consolidação orçamental e de reformas estruturais. Se não o fizer, as dificuldades que os portugueses sentirão serão ainda maiores que as actuais", avisou. Por isso, continuou Durão Barroso, "é importante que Portugal esclareça tão depressa quanto possível o que pretende fazer".

Portugal está a ser visto nas altas instâncias europeias como o problema mais grave que falta resolver e que, de alguma maneira, destoa de alguns sinais positivos que já vão existindo na economia europeia como um todo, observaram altos responsáveis europeus, reunidos em Bruxelas.

Herman von Rompuy, Presidente do Conselho Europeu, foi mais seco relativamemente aos problemas que ainda subsistem "em algumas democracias europeias". Para o líder, a retoma está a acontecer, embora frágil, e o mesmo pode dizer-se do emprego a nível europeu. "Mas nem todos os problemas estão resolvidos. Estamos dependentes dos acontecimentos políticos em algumas das nossas democracias". É o caso recente de Portugal, mas mais importante, da Finlândia que vai para eleições em Abril e da Alemanha.

Barroso lembrou ainda que a única condição para o crescimento passa pelos países reduzirem muito os défices e as dívidas públicas, aliando isso à vigilância recíproca do novo modelo de governo económico. "Mas isto não é para impôr, por exemplo, o nível dos salários", insistiu.

Esta cimeira europeia decorre num ambiente de grande constestação social no centro de Bruxelas. Vários sindicatos europeus e populares encheram as ruas contíguas às instituições europeias para protestar contra as medidas de austeridade e a perda de direitos dos trabalhadores.

Acompanhados sempre de perto por polícia de choque, os manifestantes deram concertos, gritaram palavras de ordem, foram rebentado pequenas bombas de Carnaval ao longo do percurso. Alguns atiraram ovos contra os prédios. Tendas a vender cerveja e batatas fritas com maionese compunham o resto do retrato.

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