Amado: "Muito mau" Portugal chegar dividido a cimeira "decisiva"

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, considerou hoje em Bruxelas que será "muito mau" se Portugal se apresentar sem um forte consenso nacional na cimeira de líderes europeus de quinta e sexta-feira próximas, que classificou de "decisiva".

Apontando que será "muito mau pela imagem que projecta do país e pelas dificuldades em que a economia do país se encontrará se não houver rapidamente uma solução em relação às condições" da participação de Portugal "nesta nova fase do euro", o chefe de diplomacia lamentou que não se tenha perseguido antes com mais esforço e responsabilidade um amplo consenso nacional.

"Eu creio que estamos há demasiado tempo a jogar aos dados com o destino da economia portuguesa e dos portugueses. Creio que deveria haver mais responsabilidade política no país, tenho-o dito recorrentemente há mais de um ano", afirmou, à entrada para uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia. Segundo Amado, "o país merecia estar noutra situação e seria muito importante que houvesse um entendimento relativamente ao destino do país no projecto europeu num momento tão decisivo".

"É preciso não esquecer que o Conselho da próxima sexta-feira é um conselho histórico, uma vez que vai aprovar o 'pacto para o euro', o que significa que desde Maastricht que o desequilíbrio entre a união monetária e a união económica se vai corrigir com a adopção deste «pacto para o euro», que consubstancia o pilar económico do euro e consubstancia também uma divisão em dois círculos claros no projecto europeu", declarou.

Para o ministro, é por isso "muito mau para o país" que Portugal não se possa apresentar em Bruxelas perante os seus parceiros "com um forte consenso nacional em relação ao lugar que o país pretende ter nesta nova configuração que a UE vai passar a assumir. Como disse, estamos a jogar aos dados há muito tempo com o destino do país, porque nós não podemos antever as consequências de uma falta de consenso neste momento em torno de objectivos essenciais para a estabilidade do país no projecto europeu, face aos desenvolvimentos que uma crise política pode vir a provocar no curto e médio longo prazo no nosso país", afirmou.

Questionado sobre se a situação política interna já terá chegado a um ponto sem retorno, com a inevitabilidade de eleições legislativas antecipadas, Amado admitiu que esse "é um cenário que está pela frente", mas escusou-se a "antecipar a decisão final, que caberá aos deputados da Assembleia da República, ao parlamento e, em ultima instância, também ao Presidente da República".

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