Portugal, um país demasiado pequeno para Luís Amado

Luís Filipe Marques Amado, ministro dos Negócios Estrangeiros,  57 anos, natural de Porto  de Mós, casado, dois filhos.

É um homem culto, de princípios e de pensamento bem estruturados, calmo, sociável, envolvente sob o ponto de vista afectivo, sensível, nada intempestivo, e muito seguro das suas ideias e comportamentos.

Luís Amado é um homem que sabe o que quer e por onde quer seguir. Não foi por acaso que fez as malas para os EUA como visiting professor da Universidade de Georgetown, enquanto outros "choravam" a derrota do PS nas eleições seguintes a saída de Guterres. Portugal já é demasiado pequeno para este homem aberto ao mundo. Ainda recentemente, o seu nome fez eco nos bastidores para ocupar um cargo na Organização das Nações Unidas, após Portugal ser eleito como membro não permanente do Conselho de Segurança. O esticar de corta com o actual Governo revela ainda que Amado, racional, ganhou o seu próprio estatuto independentemente das cores partidárias ou de quem chefia ou não o Governo.

Também há quem diga que Amado pode estar a um passo de integrar a organização NATO, logo após a cimeira de Lisboa. Apontado como "gamista" sereno, fez carreira nas esferas internacionais, tornando-se numa figura da estratégia que ganhou créditos num novo modelo da ordem mundial. Em termos pessoais, há outro Luís Amado. Tem amizades longas que alimenta num círculo de amigos que perdura no tempo apesar das distâncias e das ausências. A muitos deles liga-o as artes plásticas. Escultor da pedra, Amado foi sócio da galeria Funchália, nos finais de 80, tendo por parceiros Danilo Matos (casado com Violante Saramago), o médico Manuel Brito, hoje candidato à Ordem dos Médicos, o arquitecto João Luís Meneses, entre outros.

É um homem de tertúlias que sempre soube separar o lado privado dos cargos públicos que ocupou desde o dia em se sentou na Assembleia Legislativa da Madeira, em 1991, onde cumpriu dois mandatos, recusando manter-se nesse registo de deputado regional por discordar da forma como o parlamento local funcionava, nomeadamente em termos de direitos dos partidos da oposição. Licenciado em Economia, chegou à Madeira através do casamento com Marta, natural da ilha. Foi professor e técnico superior da Secção Regional da Madeira do Tribunal de Contas até abraçar a vida política com a bandeira do PS, primeiro na Madeira, depois na Assembleia da República. E foi esse o grande salto para o palco nacional, tendo sido o secretário nacional para as relações internacionais do PS. Começando como secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna (Jorge Coelho) e secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação (Jaime Gama) nos Governos de António Guterres (XIII e XIV Governos Constitucionais), Luís Amado foi, simplesmente, o ideólogo da campanha de José Sócrates que deu ao PS a primeira vitória.

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