Ida de militares para o Afeganistão está por aprovar

Estado-Maior-General das Forças Armadas desconhecia opção do Governo até ao momento do seu anúncio por Sócrates

O envio de militares para o Afeganistão anunciado no primeiro dia da Cimeira da NATO por José Sócrates e que apanhou de surpresa as chefias militares depende da aprovação do Conselho Superior de Defesa Nacional (CSDN), que a seu tempo será convocado para o efeito, confirmou fonte do CSDN ao DN.

O Governo prestou essa informação ao Presidente da República, Cavaco Silva, antes do anúncio público, mas é ao orgão presidido pelo Chefe do Estado e comandante supremo das Forças Armadas que cabe a decisão final, e como admitiu o ministro da Defesa ontem (ver texto nesta página).

O Estado-Maior General das Forças Armadas concluiu, há algumas semanas, os estudos sobre diferentes modalidades e custos do reforço de formadores no Afeganistão, mas desconhecia qual a opção escolhida pelo Governo até ao momento do seu anúncio.

Fontes militares ouvidas ontem, também sob anonimato por não estarem autorizadas a falar sobre o caso, reafirmaram aquele facto - noticiado na edição de ontem do DN e depois desmentido pelo ministro da Defesa, em conferência de imprensa à margem da cimeira da NATO.

"Soubemos pela televisão" e "fomos apanhados de surpresa", contaram as fontes, recordando o momento em que ouviram o primeiro-ministro anunciar a medida (na véspera, após um encontro com o secretário-geral da NATO e quando a decisão informal sobre o futuro do comando de Oeiras ainda estava por tomar).

O próprio chefe do Estado- -Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), general Valença Pinto, falou ontem com os jornalistas na sala de imprensa da Cimeira - na condição expressa de não falar sobre o assunto.

Segundo Augusto Santos Silva, "é completamente falsa a alegação de que as autoridades militares tenham sido ignoradas neste processo", pois "essa intenção" de reforçar o grupo de formadores militares "foi previamente preparada" pelas Forças Armadas.

Ora o DN noticiou ontem precisamente isso: "Apesar da surpresa dos militares (sobre o momento do anúncio e quanto à proposta em concreto), na base da decisão política estiveram estudos feitos" recentemente pelas estruturas de planeamento do Estado-Maior-General.

Situação diferente é terem sa-bido especificamente qual a opção escolhida - e que iria incluir elementos da GNR - antes do seu anúncio pelo primeiro-ministro.

Esta é uma situação em que nenhum responsável da hierarquia militar confirmará em público a informação do DN - porque não há papéis, isso iria implicar o re-conhecimento público da falta de informação e, à luz dos códi-gos militares, o inerente pedido de demissão imediato.

Curiosamente, a 8 de Novembro, Santos Silva também disse aos jornalistas - no final de um debate na Assembleia da República - que desmentia uma notícia do DN (com base em informação dada ao jornal sob anonimato e onde se referia a existência de cartas trocadas em Março passado entre o comandante operacional da NATO, almirante James Stavridis, e o CEMGFA, general Valença Pinto).

Questionado pelo DN sobre se ia "desmentir formalmente" a notícia, intitulada "Lisboa enviou para Cabul tropas que NATO rejeitava", Santos Silva reagiu com rapidez e sorrindo: "Não desminto fontes anónimas." Aparentemente, a diferença entre as duas situações é que o ministro teria uma dúvida neste último caso - saber se o DN citava apenas fontes anónimas ou estava na posse das referidas cartas.

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